Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008
“O LADO SELVAGEM”_UM FILME CHATO CHEIO DE MITOLOGIAS
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O Lado Selvagem (Into The Wild) realizado por Sean Penn (2007) é um filme chato e bastante tonto. Um pastelão daqueles que duram, duram e nunca mais acabam. Boas paisagens num retorno ao mito do bom selvagem mascarado de bons costumes e intenções. A Natureza com “N” grande por oposição à civilização e à vida em sociedade num discurso sobre o lado selvagem da vida de um vagabundo. O menino rico, a biografia de Christopher McCandless foi primeiro trabalhada pelo jornalista Jon Krakauer, que recusa a vida em sociedade para se aventurar no Alasca e assim acaba por morrer intoxicado por umas “ervas” (plantas) que interpretou de forma errada a partir de um livro de espécies vegetais. Depois de deambular entre comunidades hippies, descer rápidos de canoa e penar de fome num autocarro o rapaz, num processo de grande iluminação, compreende que a verdadeira felicidade tem que ser partilhada. Uau! Uma sabedoria da vida natural agora apadrinhada por Sean Penn num registo tremendamente naif e repleto de mitologias sobre o que há ainda de natural na natureza. Perigosas colagens a discursos sobre a globalização e afins fazem do filme um equívoco tremendo.

A história real do rapaz que se desembaraça de dinheiro, objectos e família para ir à descoberta da experiência da vida selvagem foi trabalhada pelo jornalista, Jon Krakauer, numa narrativa da glorificação do capricho. Logo na altura da morte do jovem de vinte e poucos anos, como assinala Dóris Graça Dias no artigo “Aventura sem Guião” (jornal Expresso, caderno Actual de 26 de Janeiro de 2008): “(…) vários artigos de imprensa se dedicaram ao caso, enquanto parte da opinião pública considerava o tema secundário, pois o que estaria em causa era uma atitude irresponsável, de um jovem inadaptado e algo pretensioso, lançado numa aventura sem sentido e de consequências dramáticas, não fora a sua imaturidade. Heroísmos sem grandeza, portanto.”

Ao contrário desta facção da opinião pública que defendeu um certo bom senso em relação às narrativas “da vida real” outros lembraram-se de glorificar o rapaz e transformá-lo num poeta do espaço natural. Enfim… há gostos para tudo mas eu certamente alinho com a ideia de que este vagabundo de elite não tinha nada de especial para lá de uma incapacidade social que deveria ter sido devidamente diagnosticada. Sofríveis são as alusões familiares aos traumas que torturaram a consciência frágil daquele jovem. Afinal, vamos percebendo que o pai e a mãe do “menino” selvagem não reconheciam a relação que tinham um com o outro o que fazia dos filhos, Christopher e uma irmã com quem este tinha uma boa relação, bastardos (!!!). Os pais do rapaz discutiam imenso à frente dos filhos e viviam atormentados pelo trabalho. O filme é um mundo às avessas que faz de uma família normalíssima um lugar de inquisição da realidade num movimento que tenta glorificar o lado “wild” do filho para condenar os pais como demasiado “normais”. Não é infantil esta história? Já não há saco para estas narrativas! O filme vale pela cena do urso que aparece para atormentar o viajante. Esperto, como só os ursos sabem ser, ignora completamente aquela criatura. E eu que estava cheia de expectativas em relação ao filme...

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