Quinta-feira, 6 de Março de 2008
ATELIER DE ARTES DIGITAIS_FCSH_UNL

Esta semana ficou encerrado o seminário de mestrado
Atelier de Artes Digitais na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Avaliei vinte e sete alunos numa turma surpreendente pela dinâmica e capacidade de trabalho. Estes estudantes são licenciados em engenharia, psicologia, ciências da comunicação, design, audiovisual e cinema, línguas estrangeiras, escultura, artes plásticas, etc.
No início do semestre formaram-se quatro grupos de cinco e seis alunos cada aos quais se juntou um outro grupo de apenas três elementos e uma aluna que ficou a trabalhar individualmente. Assim, os grupos de trabalho desenvolveram projectos diversificados a partir da metodologia proposta que consistia em seis momentos de avaliação orientados pelas
Seis Proposta Para o Próximo Milénio de
Italo Calvino. Neste contexto, os alunos trabalharam em conjunto o conceito de rapidez numa apresentação conceptual do trabalho à turma com apresentação escrita de um
paper (memória descritiva) de cinco páginas com bibliografia de investigação. Seguiu-se o conceito de exactidão com a elaboração da arquitectura digital. O conceito de leveza foi abordado através do design da interface e apresentação do
storyboard da aplicação. De seguida introduziu-se o conceito de visibilidade explicitado pela construção de um protótipo utilizando o
Dreamweaver ou o
Flash. Finalmente, o conceito de multiplicidade relacionava-se com as possíveis extensões das aplicações em múltiplas plataformas digitais e o conceito de consistência com a coerência global da apresentação final que culminava com a impressão de um dossier de projecto. Este dossier foi acompanhado por um protótipo do trabalho.


O grupo A, constituído por Anabela Silva (designer), Ana Martins (cinema e televisão), Flávia Neves (novas tecnologias da comunicação), Daniel Souza (jornalismo), Ricardo Santos (cinema e multimédia), Joana Gama (comunicação) e Sandra Almeida (gestão de empresas) apresentou o projecto
Diggin Bairro Alto, uma interessante aplicação em Flash que tornava evidente uma cuidada recolha etnográfica sobre a vida diurna e nocturna do bairro alto. Os autores recolheram entrevistas, sons, fizeram percursos em vídeo e reuniram um espólio alargado de imagens fotográficas (padrões,
tags, stencil, entre outros) do espaço lisboeta. Propuseram ainda jogos e percursos
site specific partindo da utilização de telemóveis e quiosques multimédia para a inserção do visitante no percurso a efectuar de forma lúdica e discreta.
Diggin Bairro Alto é um protótipo com inúmeras aplicações possíveis: turismo, marketing viral, publicidade a partir de novos meios com extensões em blogs e sites de comunidades on-line. Para descobrirem o projecto explorem o blog criado para a produção do mesmo
aqui.


O grupo B, constituído por Dina Trovisco (cinema e televisão), Fernando Nabais (engenheiro informático), Filipe Braga (marketing e comunicação), Isabel Brison (escultura) e Vitória Dias (cinema e televisão) criou e produziu o projecto
Clippage Cinematic Space, a
clippage computacional da linguagem espacial cinematográfica, uma base de dados de excertos de filmes variados que são usados para produzir
clips e vídeos num cinema da reciclagem e da recombinação. Um documento ambicioso e bastante surpreendente pelos resultados obtidos na investigação produzida que conta com o isolamento de inúmeros planos da história do cinema. Uma abordagem muito consistente do ponto de vista teórico que aponta para conceitos como a procura de um DNA na imagem cinematográfica ou a produção de novos sentidos através da manipulação de palavras chave como “cidades”, “corpos”, “viagens”, “reflexos”, entre outras, que são posteriormente "forradas" por excertos cinemáticos variados. Para mais informações consultar o site do projecto
aqui.


Do grupo C fizeram parte Mário Martins (controlo financeiro e administração de empresas), Isabel Paiva (design), Mário Pinto (psicologia), André Gonçalves (ciências da comunicação), Décio Barros (cinema e multimédia) e Tânia Rodrigues (marketing e publicidade). Este colectivo criou o projecto
AtomSphere, uma narrativa sensorial do tipo
cadáver esquisito surrealista que explora conceitos de sinestesia, rizoma, performance e incorporação numa instalação que se explicita pela escolha aleatória de uma história ou percurso alternativo. O participante da obra vê espelhado o seu rosto no ambiente do ecrã através da captação da câmara vídeo acoplada ao computador. A história é seleccionada através dos movimentos do braço do
user. Uma aplicação misteriosa que apela a múltiplas inferências: sapatos vermelhos na relva verde, o elemento 3D que voa na floresta, pegadas e vestígios dispersos, homens de capuz à volta de uma fogueira. Uma estética muito influenciada por
David Lynch que apresenta momentos poéticos do género do site
anonymes.net. Pena que o projecto ainda não tenha uma extensão on-line mas estou convicta que estará visível um dia destes num festival a anunciar.


O grupo D, constituído por Juan Caro (
erasmus), Nuno Sousa (pintura /artes plásticas), Renata Sancho (cinema e televisão), Rui Ascensão (filosofia), Sara Graça (audiovisual e multimédia) propôs a articulação de uma personagem real/virtual num desmembramento da identidade em diversas imagens. O avatar foi nomeado AVA e consiste simultaneamente numa boneca virtual e numa actriz real. Para este projecto foi construída uma plataforma em
Dreamweaver. Assim, são enunciadas questões relacionadas com a identidade fluida da actualidade tal como se evidenciam problemas de agenciamento entre a
persona real e a
persona virtual numa reflexão sobre o desmembramento do “eu” nas arquitecturas digitais. A incorporação da personagem digital no corpo físico da actriz foi o mote para a criação e produção de vídeos sobre a vida on-line do avatar num registo das diversas aparições da boneca. Esta ficção, inspirada no trabalho de
Sophie Calle,
Lynn Hershman, e outros, explora aspectos de realidade aumentada na forma como cria uma dimensão alternativa que convive em paralelo com a imagem real da actriz. Podem explorar o blog do colectivo AVA
aqui.


O grupo D, constituído por Ana Barata (literatura), Catarina Afonso (design comunicação) e Luís Favoreto (teatro e cinema) dedicou-se à exploração de uma interface lúdica,
Constrói a Tua História a Brincar, para crianças dos 3 aos 5 anos. O colectivo produziu algumas reflexões teóricas à volta dos estudos sobre género nas estruturas narrativas dos contos de fadas e construiu um argumento interactivo detalhado a partir do cruzamento de seis histórias infantis, a saber,
Capuchinho Vermelho,
Hansel e Gretel,
Branca de Neve,
Gato das Botas,
Gata Borralheira e
Pedro e o Lobo. As seis histórias podem ser manipuladas de forma a misturarem-se umas nas outras numa função recombinatória. O protótipo gráfico apresenta ilustrações adequadas à faixa etária proposta e já tem algumas ligações a funcionar. Este trabalho já está disponível e pode ser apreciado on-line
aqui e no blog criado no âmbito do projecto
aqui.
Finalmente, o projecto de Rita Matias,
Alice,
Build your Own Character uma aplicação em Flash para visualização on-line que possibilita a construção de uma personagem através da manipulação e integração da fotografia do participante. Assim, adoptam-se elementos de caracterização fragmentados que vão contando e recriando a história de Alice através do espelho. Sons, recortes e desenhos à mão livre em cima de fotografias em fundos brancos ajudam-nos a manipular uma navegação simples e discreta. O site está
on-line.
Resta-me agradecer a participação empenhada de todos os alunos do
Atelier de Artes Digitais deste ano lectivo de 2007/08 e confessar que fiquei bastante contente com os resultados. A turma deste ano vai deixar saudades e a experiência foi muito gratificante. Obrigada a todos!
De
rafgouv a 9 de Março de 2008 às 20:57
Projectos bem interessantes. Parabéns a todos!
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