Terça-feira, 18 de Março de 2008
“THERE WILL BE BLOOD”, A DIALÉCTICA CRISTÃ DE P. T. ANDERSON_por Rafgouv

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Desde o seu primeiro filme, Hard Eight, Paul Thomas Anderson, então com 26 anos, surgiu como um dos mais ambiciosos cineastas americanos contemporâneos. Doze anos mais tarde, só podemos confirmar que cada uma das suas cinco longas-metragens veio corroborar uma dupla aspiração formal e temática tanto mais impressionante quanto o realizador de Magnolia nunca se rendeu, ao contrário de muitos outros, à reformulação puramente estilística dos géneros populares, preferindo sempre questionar e reinventar a sua própria escrita cinematográfica, sem para isso renegar a herança clássica. Mesmo a sua comédia Punch Drunk Love, obra-prima de delicadeza e de arrojo, e só aparentemente o seu filme mais “modesto”, atesta de uma determinação sem falhas para dar um fundo, uma consistência, a cada uma das suas opções formais: neste caso, dotar uma personagem tipo da comédia regressiva (o género cómico contemporâneo por excelência), e um actor (Adam Sandler), de uma legitimidade “ética”, de uma espessura que não serve só para fazer rir mas também para amar [1]. Poucos cineastas contemporâneos podem efectivamente reivindicar uma filmografia missionária, empenhada em catequizar, “melhorar” a índole do espectador, através de uma representação temente mas generosa e piedosa.

Não devemos esquecer que P.T. Anderson é também o argumentista de todos os seus filmes. Enquanto Boogie Nights, nitidamente inspirado por Paul Schrader (o argumentista de Táxi Driver e de American Gigolo), narrava a redenção de Eddie Adams, sobredotado actor de filmes porno, Magnolia traçava o retrato apocalíptico das pequenas misérias quotidianas que só a epifania (uma canção ou uma praga) pode vencer, impregnando de misticismo um esquema “coral” inventado por Robert Altman. O argumento de There Will Be Blood, adaptação do romance Oil!, de Upton Sinclair, é uma vez mais assinado pelo realizador que se ataca pela primeira vez a um filme de época. Ainda não terminei a leitura do livro de Sinclair mas posso já indicar que o trabalho do argumentista consistiu sobretudo em concentrar a intriga no combate que opõe Plainview a Eli Sunday, reduzindo consideravelmente o número de personagens e de episódios mas dando a cada um dos protagonistas uma energia ancestral, original, bíblica.

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O filme começa com um milagre, mas um milagre da vontade humana: com uma perna partida, o pesquisador de petróleo consegue sozinho extrair-se do poço. É graças a esse milagre que se afirma a fé individualista de Daniel Plainview, uma fé sacrílega que institui como regra o combate do indivíduo prepotente contra a congregação, contra a comunidade, contra a memória: a fé capitalista. O confronto tem o seu primeiro “round” na cena em que Plainview desafia Eli, baptizando ele próprio o poço de petróleo, sacrilégio que não deixará de ser punido por um acidente de inspiração divina. No termo da segunda batalha, Plainview é obrigado a abjurar hipócrita mas publicamente a sua fé na igreja do seu inimigo, enquanto no fatal terceiro “set”, perfeitamente simétrico do segundo, é Eli quem renega o seu Deus na igreja / sala de “bowling” de Plainview. Enquanto o templo de Eli é povoado pelos membros da paróquia, o reino de Plainview é solidão, solidão incandescente e viril, de fogo e de metal, solidão vampírica do homem exangue (sem sangue, logo desumano, demoníaco) que se alimenta do sangue alheio como se alimenta do petróleo alheio. De resto, durante o filme, Daniel Plainview não cessa justamente de conjurar essa falta de sangue, essa falta de raízes que caracteriza os homens “saídos do nada”, os homens que “se fizeram a si mesmos”, impondo conformidade total a um filho ou a um “irmão” que renega quando estes revelam propensões (uma deficiência, uma falta de controlo...) que considera incompatíveis com o seu sangue.

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Quando se conhece o profundo desprezo que os europeus sentem em relação à religiosidade norte-americana, não deixa de ser extremamente irónico que os mais poderosos e mais talentosos manifestos anti-capitalistas do cinema americano recente – Apocalypto de Mel Gibson e este There Will Be Blood – sejam assinados por autores que reivindicam uma visão cristã. Em ambos os filmes, o capitalismo é identificado com a suprema blasfémia que leva os indivíduos a medirem-se com Deus, ambos os filmes oferecem riquíssimas alegorias de inspiração bíblica e ambos retomam uma longa tradição, interrompida desde os anos 60-70, de realizadores americanos místicos mas profundamente carnais: sim, Mel Gibson tem sangue de Cecil B. De Mille e P.T. Anderson é o filho, contestatário, crítico, moralista, de King Vidor.


[1] Por estranho que pareça, raras vezes vimos desde Chaplin um herói cómico burlesco apaixonado. Na maioria dos casos, o herói do burlesco vive o amor “malgré-lui”, seduzindo involuntariamente ou sendo confrontado com presas inverosímeis. Entre os jovens realizadores cómicos americanos, só os fabulosos irmãos Farrelly ou um Wes Anderson, testemunham de uma profundidade comparável no tratamento das suas intrigas amorosas.


20 comentários:
De andrade a 19 de Março de 2008 às 23:19
:neutral: :cool: ainda não vi mas se calhar vou ver este fim-de-semana. Andrade


De rafgouv a 20 de Março de 2008 às 13:39
:mrgreen:
Vais mesmo, Andrade?
Este é daqueles filmes que dá pano para mangas. Gostava de ver aqui reportados outros pontos de vista.


De Mestre Cuco a 22 de Março de 2008 às 11:27
:smile:
Se me permite a correcção, a cena inicial passa-se numa mina de prata e não num poço de petróleo. É posteriormente que Daniel Plainview se converte em pesquisador e negociante de petróleo.


De mouseland a 22 de Março de 2008 às 17:34
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Vou ver hoje! xxx mouse


De mouseland a 23 de Março de 2008 às 16:44
O Mestre Cuco tem razão mas entre tantos banhos de petróleo e metros debaixo da linha da terra é difícil saber o que anda o Daniel Plainview a congeminar. Achei a interpretação de Daniel Day-Lewis muito boa. Aliás tenho que confessar que é o que mais me impressionou no filme. O Eli também está bem e só depois percebi que é o irmão da Miss Sunshine, hehehe. A ironia que assinalas entre igreja e jogo com a referência à sala de bowling é bastante interessante. Não seria de perguntar se a ideologia capitalista não se serve precisamente do jogo para mostrar como todas as convicções são afinal superstições? O que me agradou foi a consciência dura da personagem principal que acaba por desafiar todos os sistemas de crença tirando partido deles para o seu próprio proveito. Ele baptiza-se porque joga com aquilo que o baptismo lhe pode trazer, tanto do ponto de vista comercial como social (nunca separando as instâncias, hehehe). Quanto a mim o problema não é dele é dos outros que querem acreditar que aquele homem pensa como eles. A ironia entre o jogador e o crente parece-me evidente de uma certa forma de ver o mundo, ou seja, há aqueles que preferem juntar-se à manada e aqueles que gostam de desmontar as estruturas em que vivem, ali também num mundo algo dualista, típico da modernidade, entre inteligentes e estúpidos. Eli é burro, o irmão é esperto porque ficou rico, Daniel é inteligente já o irmão que morreu tuberculoso é entendido como fraco.

Penso que a lógica modernista e industrial é evidente no filme, lógica descrente da fé e cega de progresso científico e tecnológico. A biologia e o darwinismo da “Origem das Espécies” é uma metáfora para introduzir o determinismo biológico, o sangue e os genes por trás das acções. O sangue que Daniel reconhece não ser o dele, no irmão e no filho, pois estes não pertencem à sua estirpe rija e determinada pela concorrência. A sobrevivência do apto é dada através da biologia genética e aqueles que não são fortes são subtraídos. A história passa-se entre 1902 e 1927, até à grande depressão. O momento das grandes narrativas do progresso.

Deixei um comment mais sucinto no filme dos Coen. xxx mouse


De rafgouv a 24 de Março de 2008 às 12:27
:smile:
Obrigado Mestre Cuco, tem toda a razão.

:smile:
Obrigado Mouse, tinha escrito um texto deliberadamente curto para me poder estender nos comments e dás-me uma excelente oportunidade para o fazer.

Aprovo tudo o que dizes sobre os laços entre o capitalismo e o jogo. Diria mesmo que a concepção capitalista do jogo lhe confere um carácter sacrílego porque precisamente o identifica com a vida: tudo é "jogo", tudo é "simulação", tudo é "lúdico", nada é sagrado... (ora, como deves saber, há jogos sagrados).

Estou menos de acordo quando dizes que o "problema não é dele mas dos outros"... Acho que esse raciocinio é bastante típico precisamente da lógica capitalista: cada um por si e se és roubada ou violada, a culpa é um pouco tua também (devias ter posto um alarme ou vestido uma saia comprida)... Penso que a "burrice" de Eli que focas é precisamente uma forma dialéctica para Anderson nos dizer que apesar dessa "burrice", desse "fundamentalismo" e de todos os pecados venenosos que cometeu, ele é apesar de tudo uma vítima de Daniel, um simples pecador ao lado de um demónio...

Quanto ao baptizado, não acho também que ele se baptize para aproveitar seja o que fôr. Baptiza-se porque é obrigado a isso. O baptizado é vivido por Daniel como uma enorme humilhação, como aliás o acidente... Este homem não aceita pura e simplesmente que nada lhe escape... e o seu único concorrente é Deus. Ele próprio diz que não suporta o sucesso de nenhum outro. De uma certa forma ele não está em concorrência com ninguém excepto com Deus.

Assim, penso que tens toda a razão em abordar a ideologia progressista do início do século 20 como elemento de contexto bem como o darwinismo. No entanto, penso que Anderson enquadra a sua personagem num âmbito bem mais ancestral e telúrico: Plainview é um homem que sai do fundo da terra, do nada, que se moldou a si mesmo (ao contrário de Adão que é moldado por Deus). É uma personagem que tem muito pouco de "biológico" e que é constantemente associada ao fogo, ao metal e à rocha, elementos estéreis... Por outro lado, poucas vezes ausência feminina me pareceu tão significativa como neste filme (espanta-me que não tenhas falado nisso): uma das blasfémias do personagem é precisamente de pretender "procriar" (ou constituir família) sem mulher... Não esquecer que a presença feminina e mesmo a divinidade feminina (Maria) representa uma das revoluções do cristianismo... Além da associação da sala de jogo a uma igreja maléfica, uma das maiores subtilezas do filme pareceu-me ser a relação que se establece entre Plainview e Mary Sunday, a única autêntica personagem feminina. Que achaste??

O cinema americano está em excelente forma! Mas não consigo deixar de me perguntar porque é que em 3 filmes tão importantes e vertiginosos como There Will Be Blood, The Assassination of Jesse James e No Country, todos obras-primas e todos com algo de western, a ausência feminina se faz sentir de forma tão aguda... Somos vários a notá-lo... Alguém tem explicações? :mrgreen:


De mouseland a 24 de Março de 2008 às 23:20
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Pois eu penso que também temos que ter algum cuidado quando descartamos a ideologia do jogo, típica da economia capitalista, como algo nocivo e perverso. Acho que esse movimento denota sempre uma atitude algo puritana muito intrincada na sociedade ocidental. O jogo mágico e sagrado é uma forma de sacralização do conceito e entra no mesmo saco do jogo profano. Ora, já dizia o velho Huizinga que o “espírito de competição e jogo é, como impulso social, mais velho do que a própria cultura e prevalece na vida como um fermento. O ritual cresceu no jogo sagrado; a poesia nasceu e cresceu do jogo; a música e a dança são formas puras de jogo; a sabedoria e a filosofia encontraram expressão em palavras e formas derivadas das disputas religiosas. As regras da guerra, as convenções da vida com nobreza foram construídas a partir de padrões de jogo. Temos então que concluir que a civilização é, na sua fase primordial, jogo” (Huizinga, 1950; 173). Daí que não me pareça nada eficiente separar o jogo sagrado do jogo profano e penso que é precisamente durante o século XX que o jogo é de alguma forma reabilitado depois de ter sido renegado em prol do conceito de arte.

Mas voltemos ao filme e ao lado perverso de Daniel Plainview. Eu penso que ele não olha a meios para conseguir o que quer e assim chegar aos fins desejados. Penso que se está perfeitamente nas tintas para os outros mas não consigo ver em Eli nenhum inocente que é vítima de Daniel Plainview. Para mim Eli é patético pois não consegue deixar de venerar o homem que o aniquila constantemente.

Quanto à representação feminina na produção actual de Hollywood é bem sintomática do desaparecimento das mulheres dos sistemas de representação cultural. Um problema que se pensava estava resolvido, surge no início do século XXI, com uma configuração alarmante. No entanto, julgo que é bom acentuar que na época que o filme retrata e, como dizes, na classe social de Plainview, o homem que se fez a si próprio, é naturalíssimo que a mulher apareça como símbolo da virgem Maria, de vestidinho branco, dócil e amestrada por um pai que lhe dá tareias. xxx mouse


De rafgouv a 25 de Março de 2008 às 12:51
:smile:
Hello Mouse,
Digamos que o teu comentário sobre o jogo leva-nos para outro campo pois eu estava a referir-me ao filme e à visão que ele comporta e de modo algum a uma opinião generalizada sobre os jogos. A tua observação remete-me no entanto, com alguma ironia, para a actualidade olímpica: porque será que toda a gente fala de boicotar os Jogos de Pequim e ninguém refere um possível boicote dos casinos de Macau??? Será que existe de facto uma diferença na percepção que os leigos como eu têm destes 2 tipos de jogo (uns sem sombra de dúvida mais "sagrados" do que os outros, inclusivamente para profanos e pagãos)? Uma diferença antropológica com enormes consequências políticas? Não vale a pena continuarmos aqui a falar disso mas talvez possa ser um tema para explorar noutro dia.

Quanto a Eli Sunday: "patético" é de facto o adjectivo que melhor o qualifica. Nunca me passou pela cabeça que se tratasse de uma personagem "inocente", bem pelo contrário... Ele representa a religião, corrompida precisamente pelo capitalismo, pela ganância e pela hipocrisia. Mas Eli pertence à humanidade, pertence à tal "biologia" de que falavas, enquanto Daniel se coloca fora dela... e é nesse ponto que a ausência feminina é particularmente eloquente.

Exprimi-me demasiado rapidamente sobre a questão da ausência feminina. Não me estava a referir à representação feminina - afinal, o western sempre foi um género masculino - mas de alguma forma à representação dessa ausência. Estes filmes têm poucas personagens de mulheres mas fazem-nos todos sentir de forma extremamente premente essa ausência e em todos eles as poucas personagens femininas são extremamente importantes e mesmo fulcrais...

Estou de acordo contigo e Mary Sunday faz de facto alusão à Virgem Maria. Por outro lado, trata-se da única personagem que tempera a prepotência de Daniel, que o seduz...

Não devemos esquecer que este "homem" só perde as estribeiras a partir do momento em que afronta algo mais poderoso do que ele (quando o "filho" tem um acidente). Até aí, Daniel é capaz de exprimir uma certa ternura mas tem uma espécie de asco aos laços verdadeiramente carnais: o seu filho é o seu "associado", uma mera extensão...

Este homem não tem mãe, nunca se apaixona (é impotente?) e a única relação que tem é uma relação com a própria terra que viola com golpes de pistão até ela jorrar de sangue negro (estas associações estão no filme, para quem tem olhos). Aquilo que ele faz (o oleoducto) é de alguma forma substituir o sangue, a carnalidade humana, "biológica", por algo de sacrílego, porque criado por ele e já não por Deus, e é neste âmbito que me parece que a personagem de Mary é extremamente importante: é a única personagem da qual ele espera obter algum reconhecimento...

xxx


De andrade a 26 de Março de 2008 às 00:49
:evil: E eu que acabei por ir ver o Michael Clayton em vez deste filme do Anderson que parece valer mais a pena. A culpa é da mouseland. :razz:


De rafgouv a 26 de Março de 2008 às 09:20
Pois Andrade, embora esse Michael Clayton tenha algumas boas referências é para ver na TV como, para mim, a maior parte dos filmes da clique bem pensante dos Clooney/ Soderbergh... Assim, pelo menos podemos ter algumas excelentes surpresas como essa maravilha bruta que é BUBBLE de Soderbergh (de muito longe, quanto a mim, o seu melhor filme).


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