Domingo, 27 de Abril de 2008
“HEROES”_NEODARWINISMO OU CRIACIONISMO?
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Acabei de ver a primeira temporada da série Heroes (Tim Kring, 2006), drama de ficção científica que conta a história de um conjunto de pessoas comuns que descobrem que têm poderes especiais. Nunca fica totalmente claro, quanto a mim, se os super-heróis de Heroes são o resultado de uma evolução da espécie humana se são fruto de manipulações genéticas provenientes de algumas empresas biomédicas. Estes seres vivem uma realidade aumentada pelas suas capacidades fora da norma e tanto podem voar, como ouvir os pensamentos dos outros, regenerar os seus próprios tecidos, viajar no tempo ou pintar o futuro. Fazem parte de um mosaico, ao estilo narrativo da banda desenhada, metáfora usada na construção da própria estrutura da série, que se vai seguindo com curiosidade de episódio para episódio. O fito destes seres especiais é evitar uma explosão em Nova Iorque para assim salvar a humanidade.

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Heroes é uma série curiosa e ao mesmo tempo algo disparatada na forma como introduz algumas questões interessantes. Passa-se constantemente de um discurso sobre a teoria da evolução das espécies de Darwin a uma narrativa sobre o design inteligente que advoga que cada um de nós vem ao mundo com um destino traçado. Seria curioso enquadrar esta série no âmbito das inúmeras discussões entre os estudiosos de Darwin, na senda de Stephen Jay Gould (já falecido) e de Richard Dawkins, e os mentores do design inteligente. Ora, sendo evidente que os últimos são bastante desprezados pelos primeiros a série vem certamente dar corpo a esses debates polémicos entre ciência neodarwinista e criacionismo.

Heroes tem personagens muito engraçadas e bem construídas misturadas com personagens absolutamente desnecessárias. Existe na série, parece-me, uma constante ambiguidade entre bons e maus, heróis e vilões, cientistas e bandidos. A narrativa é constantemente reconstruída e vamos seguindo, com curiosidade, as peripécias daqueles seres fantásticos que têm nas mãos o destino da humanidade. Com eles vamos fazendo e refazendo acções, no sentido de perceber como é que uma tomada de decisão em determinado momento pode ser fulcral para o evoluir de momentos posteriores. Há sempre quem possa voltar ao passado, como Hiro, o japonês filho de um empresário da biomedicina, personagem de livros de banda desenhada que antecipam o futuro e herói ao serviço do destino do mundo. O meu herói favorito!


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