Domingo, 1 de Junho de 2008
CÉLULAS E CORPOS SEM PLANO. VIDA ARTIFICIAL E EMERGÊNCIA
sociedadeshumanas_artificiais_jorgecarneiro.jpg

Na quarta-feira passada fui ao complexo interdisciplinar do Instituto Superior Técnico assistir à conferência “Como as células constroem um corpo sem terem um plano” proferida por Jorge Carneiro, investigador no laboratório associado de Oeiras, coordenador do laboratório de biologia quantitativa do organismo e director do programa de doutoramento em Biologia Computacional do Instituto Gulbenkian de Ciência. Esta conferência está inserida num vasto painel de comunicações sob o tema “das sociedades humanas às sociedades artificiais” e foi comentada pelo professor Joaquim Sampaio Cabral, catedrático de engenharia bioquímica no departamento de engenharia química e biológica do IST. 

A conferência foi mesmo muito interessante e foram apresentadas questões fundamentais para quem como eu gosta de pensar e reflectir sobre a simulação artificial de criaturas “vivas” digitais (avatares e non-player-characters ou NPC’s) e analógicas (robots). Partindo da questão inicial “como é que as células conseguem construir um corpo e organizar-se de forma especial através de um fenómeno de auto-construção?” definiram-se algumas características básicas em termos da sobrevivência do apto de Darwin, a saber, a robustez, a plasticidade, a reprodução, hereditariedade e variação num processo de crescimento geométrico. Introduziu-se o esqueleto da rã, mostrando um caso anómalo de duplicação de pernas, para explicar como este animal mantém a mesma estrutura depois de 20 milhões de gerações num mecanismo de controlo extraordinário. 

Referenciando o trabalho de Jacques Monod, nobel em fisiologia e medicina de 1965, e a sua teoria molecular do código genético (DNA) que explica e antecipa a existência e as suas propriedades, Jorge Carneiro, introduziu a complexidade topológica inerente à plasticidade celular afirmando que se uma célula não interage suicida-se. O investigador referiu o caso das amibas unicelulares que depois de comerem as bactérias se transformam em organismos multicelulares admitindo a existência de propriedades emergentes colectivas nestes organismos. Propriedades estas, inexistentes no caso das amibas unicelulares. Se uma amiba unicelular é, por exemplo, incapaz de seguir a luz a emergência da coordenação multicelular permite a evolução sendo que quando uma célula não colabora com o colectivo não se reproduz. Neste contexto, o colectivo das células tem novas formas de percepção e integração.

sociedadeshumanas_artificiais_swarmbots.jpg

sociedadeshumanas_artificiais_antcolony.jpg

Jorge Carneiro prosseguiu a sua comunicação introduzindo os colectivos de robots afirmando que conseguimos facilmente reproduzir software mas não hardware pois ainda não conseguimos fazer máquinas capazes de se replicarem. Marco Dorigo foi evidenciado pelos seus swarm-bots, que conseguem transportar cargas e passar obstáculos através de comportamentos cooperativos e acoplamentos sensório-motores gerados por s-bots individuais. O processo morfogenético é, segundo Jorge Carneiro, distribuído e não existe em parte nenhuma do genoma um mapa que leve a célula a fazer o que tem que fazer. Neste sentido, o autor foi expressivo em afirmar a sua convicção pessoal que a evolução não tem qualquer finalidade ou objectivo apenas a constatação da sobrevivência. O debate foi bastante participado e valeu mesmo a pena assistir a esta conferência.


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