Sábado, 14 de Junho de 2008
“A 11ª HORA”_ UM MOMENTO IMPRESSIONANTE
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O documentário A 11ª Hora, a hora mais obscura da humanidade num momento impressionante produzido e narrado por Leonardo Dicaprio é interessante na medida em que, depois de quase uma hora de testemunhos algo inquietantes e deprimentes, provenientes de especialistas de renome na área da física, biologia, ciência, design, religião, como Stephen Hawking, David Suzuki, Sylvia Earle, Stuart L. Pimm, Bruce Mau, entre outros, se dão algumas pistas como produzir projectos que tenham em conta um crescimento sustentado. O documentário foi buscar inspiração ao filme de Davis Guggenheim com Al Gore, “Uma Verdade Inconveniente”, cujo projecto ambiental é bastante considerado por Leonardo Dicaprio. Em A 11ª Hora introduz-se o espectador à problemática da degradação emergente do planeta Terra de uma forma combinatória através da perspectiva de vários especialistas de inúmeras áreas. Pela mão do actor americano as questões vão surgindo e os problemas associados com o enorme aumento da população no mundo vão sendo diagnosticados para depois se darem algumas pistas sobre o que individualmente podemos fazer para mudar o estado das coisas. 

O mais curioso deste documentário, para além das diversas opiniões apresentadas, é a forma como se propõe um modelo que tenha em consideração o design biológico das criaturas naturais no sentido de se tirarem algumas pistas para aplicação no design artificial de projectos sustentados do ponto de vista ecológico. Neste contexto, considera-se que observar a forma como a natureza constrói as suas criaturas “vivas” pode ser uma maneira eficiente de respeitar o mundo natural e viver em harmonia com este. Com uma mensagem que pode ser, por vezes, considerada próxima das perspectivas ambientalistas hippies e que poderia prescindir das imagens de casais ao pôr-do-sol, o filme mostra como essas ideias têm aplicação prática no design das tecnologias que criamos. Como diz Bruce Mau no seu site e que seria bem aplicado à mensagem de A 11ª Hora: “Não é apenas sobre o mundo do design é sobre o design do mundo” e assim se pode “usar o poder e a promessa do design para criar um futuro melhor para os nossos clientes, estúdios [ateliers ou escritórios] e planeta” in Bruce Mau Design.

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Podemos ainda considerar que este documentário apresenta uma visão neutra do ponto de vista político, sendo quase apolítico, embora coloque a globalização como o fenómeno responsável pela degradação exponencial do planeta. Adopta, no entanto, uma concepção algo misturada entre consumo para massas e globalização. Este aspecto é, a meu ver, o lado menos interessante e simplista do documentário pois acaba por misturar no mesmo saco o facto dos países mais desenvolvidos consumirem exageradamente, com uma mensagem muito centrada no caso americano, a páginas tantas critica-se o poder que os americanos têm para trabalhar para consumir, e a hipótese, quanto a mim inerente ao projecto da globalização, de sobrevivência nos países subdesenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Mas também neste aspecto o filme acaba por alertar para a necessidade de olharmos mais para a realidade dos países pobres e adoptarmos um discurso que altere o paradigma da revolução industrial, que coloca a natureza como recurso infinito, para um paradigma sustentável de respeito pelas formas “vivas”.   

Neste documentário considera-se que o problema não é extinção do planeta azul, pois este tem todo o tempo do mundo, mas a extinção da espécie humana e de muitas outras espécies que não estão no topo da cadeia alimentar como o ser humano. Aprender a viver em harmonia com a natureza requer uma alteração profunda de algumas crenças e mitologias: a economia como crescimento infindável, o envelhecimento da população, o aumento da esperança de vida como dado adquirido, entre muitas outras pistas e possíveis deslocações de mentalidade. Uma reflexão sobre aquilo que, como indivíduos, podemos ir fazendo para ajudar a sigla verde.


4 comentários:
De migalha a 15 de Junho de 2008 às 19:11
Penso que a maior falha deste documentário é a tentativa de "atirar" a maior parte da culpa pela emissão de gases nocivos para as grandes multinacionais em detrimento de cada um de nós. É que somos nós, com a nossa incessante veia consumista, que potencia o crescimento desmesurado dessas mesmas corporações. Sem procura não há oferta. Há uma relação directa de causa efeito. Não quero com isto dizer que o consumismo é mau, pois é um dos pilares da nossa actividade económica e do nosso bem estar social. Mas se as pessoas fossem mais criteriosas e começassem a escolher produtos totalmente recicláveis, a consumir menos combustíveis fósseis e a poupar energia, o que não é assim tão difícil, poderíamos ter mais esperança num futuro para a nossa espécie. E esse novo comportamento influenciaria decisivamente a procura de tecnologias não poluentes por parte das empresas. No entanto, tal como diz sabiamente um ancião índio americano no final do documentário, o que está em causa não é o planeta, pois que este se recicla constantemente, mas sim a sobrevivência da raça humana. E que o planeta ficará sempre muito melhor sem a nossa constante agressão à natureza. O que no fundo é um processo patético de auto mutilação pois nós também somos a natureza!


De mouseland a 15 de Junho de 2008 às 23:53
Totalmente de acordo com a opinião expressada que aliás vai na mesma linha do que eu própria penso mas também acho que o próprio documentário acaba por dizer o mesmo. Se num determinado momento parece defender essa lógica, que são as empresas multinacionais as responsáveis pela degradação do planeta, rapidamente inflecte num outro sentido, a responsabilidade é ali identificada com uma cultura que veicula os valores errados. Errados para o tempo em que vivemos, ninguém nos preparou para uma realidade que antes não existia, também é dito. Depois, no final, volta tudo para a responsabilidade individual e para a necessidade de criação de novas formas de sustentabilidade. Tudo isso através de uma nova forma de design que vá beber inspiração à natureza.

xxx mouse


De Joe a 13 de Fevereiro de 2009 às 14:57
This decumentari is very important for me, tanks Leonardo!!!!!!!!!! Very good work!!!!!!!!!
Kisses!!!!!
:grin:


De cu a 14 de Junho de 2009 às 14:39
:evil::grin::oops::razz::roll::wink::cry::eek::???::shock:


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