Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008
08.08.08_ABERTURA DOS JOGOS OLÍMPICOS, SEM DRAGÕES, COM CALIGRAFIA



A cenografia da cerimónia de abertura dos
jogos olímpicos de 2008 esteve ao cuidado do realizador chinês
Yimou Zhang. Esta cenografia foi acompanhada pelo trabalho do coreografo
Zhang Jigang e do músico
Tan Dun.
Yimou Zhang é o realizador de
Milho Vermelho (1987),
Esposas e concubinas (1992),
Herói (2002),
O segredo dos Punhais Voadores (2004) e
A Maldição da Flor Dourada (2006), entre outros. Os filmes dispensam apresentações e fazem deste realizador um nome incontornável da filmografia chinesa. As críticas que o dizem vergado ao regime, depois de um período maldito, e que chamam a atenção para a função política das cerimónias olímpicas (cf. Mourinha, jornal
Público de 9 de Agosto de 2008) pouco interessam neste contexto festivo e
Yimou Zhang conseguiu resumir e condensar milhares de anos de história e cultura em poucas horas.
Pelo que vi na televisão a cerimónia foi bastante sóbria e cenicamente muito interessante. O voo/corrida do ginasta
Li Ning para a tocha, desenrolando um pergaminho com a história da cultura chinesa, é uma imagem muito forte e a apresentação da coreografia sobre a invenção da escrita pareceu-me magnifica. As roupas e a disciplina corporal dos figurantes fizeram-se notar e ao ver as notícias, no dia 08.08.08, sobre a capacidade de organização da República Popular da China, fiquei com uma nostalgia imensa. As imagens fizeram-me sentir saudades do país, da Ásia… há um ano estava eu a fazer as malas para
um périplo na China.
De
rafgouv a 12 de Agosto de 2008 às 08:54
:???: Não esquecer a enorme contribuição de Steven Spielberg para a cerimónia de abertura. Spielberg apenas foi substituido por Zhang Yimou depois da China ter reprimido fortemente os protestos no Tibete... obrigando-o a uma saída honorável.
Difícil não ficarmos impressionados com uma cerimónia tão intimidatória. A cerimónia teve alguns momentos de pura beleza mas fico algo perplexo pelo fascínio que aquelas coreografias marciais (os tambores do início), aquelas explosões intimidatórias (ok, o fogo de artifício é uma tradição milenar chinesa mas...), aquelas crianças com esgares sorridentes paralisados, toda aquela estética assumidamente totalitária exerce sobre tanta gente... Nada de improvisação, tudo planificado, sincronizado, controlado, milimetrado: assusta!
Comentar: