Terça-feira, 12 de Agosto de 2008
“LOST”, UMA SÉRIE BASTANTE ADITIVA
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Finalmente consegui ver a primeira série completa do Lost (Perdidos, 2004/05). Esta série dramática foi criada por J.J. Abrams, Jeffrey Lieber e Damon Lindelof e é produzida pela ABC Studios, Bad Robot Productions e Grass Skirt Productions. Lost começa com a queda numa ilha de um avião proveniente de Sydney com destino a Los Angeles. Penso que esta parte da narrativa sobre a série toda a gente conhece… o que me pareceu ainda digno de algumas notas foi o que me surpreendeu no conjunto dos 25 episódios que tive oportunidade de ver. Em primeiro lugar, achei o ambiente de Lost absolutamente aditivo, há episódios em que quase nada se passa e bastam os diálogos entre as personagens para nos agarrar naquela luta pela sobrevivência dos 47 felizardos que escaparam à morte no voo 815. Até o epilogo “bad robot” é, à semelhança do “that’s a bad hat harry” do Dr. House, algo que ajuda a fomentar o vício. Os eventos são normalmente do tipo tarefas que têm que ser cumpridas, i. e., caçar um javali, construir abrigos, desenvolver dispositivos de comunicação ou explorar a ilha misteriosa. Depois, recorrentemente, há discussões entre os sobreviventes, todos desconfiam uns dos outros e têm que ganhar relações de confiança e amizade na adversidade. Normalmente as discussões acabam numa luta e é necessário que uns corram em auxílio dos seus pares. Pode acontecer que uma espécie, aparentemente desconhecida mas posteriormente identificável, surja para complicar a vida dos sobreviventes em apuros: um urso polar, um javali, um pássaro gigantesco, são apenas alguns exemplos. Estes animais são ameaças constantes mas raramente os conseguimos ver totalmente, são fugazes e geram intriga. Depois há os espécimes verdadeiramente misteriosos cujo ruído ouvimos mas que nunca aparecem, nem sei se existem de facto, se são humanos, extraterrestres, ou, em alternativa, imaginários e provenientes de alucinações.

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A acção de Lost tem dois níveis diferentes, mas paralelos em termos narrativos, um deles remete-nos para o dia-a-dia na ilha e é personificado pela manutenção da vida daquela comunidade de estranhos. O outro, conta a história dos sobreviventes daquele avião em flashbacks. Lost é uma boa telenovela ao nível da construção das personagens: Jack, o médico bonzinho que é capaz de denunciar o próprio pai para manter a sua integridade moral, personifica a visão científica dentro do grupo, amado e respeitado por todos à excepção de um (Sawyer). Kate, a magricela de sardas que parece um erro de casting e tem tantos segredos escondidos que nem dá para perceber como passa pela boazinha do “quarteirão”. Hurley, o nerd milionário que acredita que foi enfeitiçado pelos números. Charlie, o junkie pop star sempre com um ar aparvalhado. Claire a mãe virginal. Michael o pai extremoso que foi impedido de ver o filho quando este tinha dois anos. O casal de coreanos que vivem uma possível união de amor e introduzem na comunidade as medicinas e a ciência oriental (Jin e Sun). Os irmãos incestuosos que afinal não são irmãos (Boone e Shannon). O guru do Locke que acredita em desígnios e está plenamente convicto que a queda do avião é fruto de um destino já traçado, um homem com fé. Sayid, o iraquiano que foge possivelmente de qualquer estereótipo racista sobre árabes (o que diria Jack Shaheen, especialista e consultor de filmes em assuntos relacionados com o Médio Oriente, desta personagem?) mas que mesmo assim tem um ar de carneiro mal morto embeiçado pela loira mais tola da praia. E, finalmente, o sacana do Sawyer, mau à superfície e na retaguarda, sem esquemas, o meu herói na série, juntamente com o defunto Boone, ex-CEO numa agência (da mãe) de eventos de casamento e morto em “combate”. 

Sawyer e Boone são, para mim, as personagens mais estimulantes da primeira série o que não quer dizer que as outras não o sejam também na sua configuração do tipo arquétipo. Existem personagens algo aterradoras como Ethan, o canadiano, ou a francesa Danielle, perdida há 16 anos na ilha. Lost deve ter qualquer de subliminar pois a verdade é que se entranha com uma certa facilidade. Muitos episódios terminam de forma inesperada com um enorme suspense e tensão, nomeadamente o último desta série que nos dá vontade de ir a correr comprar o volume seguinte. Lost, é uma série aditiva onde a animalidade e o instinto de sobrevivência se juntam num mosaico de sensações e emoções à flor da pele. Creepy!




De fada*do*lar a 12 de Agosto de 2008 às 16:29
:mrgreen:
Ai! Agora este Lost revival deixou-me de água na boca.
O Raf tem razão em relação à 2ª série (tinha ideia que era a 3ª a mais fraca mas como deglutinei todos os episódios em mode no-stop não consigo estabelecer essas fronteiras...).
Anyway, apesar de alguns momentos de encalhanço (mas afinal, como disse antes, praticamente todos os pormenores têm um fundamento na acção), vais continuar colada ao televisor.

"à medida que a série se torna mais e mais e mais labirintica e, curiosamente, também mais e mais e mais clara e cristalina!", é mesmo isso Raf, a 4ª série foi de génio!
Posso estar enganada mas tenho muito presente a ideia que estão planeadas 8 séries e não 6 (será?).

Mouse, tu que és uma aficcionada da wikipédia, vais ter que consultar:
http://www.lostpedia.com/wiki/Main_Page
Mas a seu tempo e tem cuidado com os spoilers.

Ah! e já agora o http://thelostdiary.com/
É divertido usado na análise episódio-a-episódio...

Credo! Ainda bem que o Lost actualmente está "de férias", senão já percebi que estaria com a vida (tempo...) "arruinado"... :wink:
Beijinhos


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