Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008
GUERRILLA GIRLS_REINVENTAR A PALAVRA “F” PARA FEMINISMO
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Descobri os livros das Guerrilla Girls na Vancouver Art Gallery e não posso evitar uma referência a este grupo que se bate pela divulgação de alguns números e estatísticas interessantes mostrando como a arte moderna, mas também a contemporânea, esteve e está imersa por uma cultura criada por e para os homens. O colectivo começou o seu trabalho em 1985 e tem sido persistente na sua estratégia de divulgação dos estereótipos recorrentes em relação às mulheres. No título Guerrilla Girls Greatest Hits (a poscard book, 1999) encontra-se, logo na capa, a seguinte frase: “less than 5% of the artists in the Modern Art sections are women, but 85% of the nudes are female”. E em relação ao ano de 1885/86 e às exposições individuais realizadas por mulheres em Nova Iorque? Guggenhein (0); Metropolitan (0), Modern (1) e Whitney (0). Ah! E na Europa, segundo o colectivo, o cenário era (é?) pior. Gostava de saber se ainda hoje estes números são assim tão desequilibrados… 

As Guerrilla Girls são um grupo de artistas, escritoras, performers e realizadoras de cinema que lutam contra a discriminação e vivem no anonimato usando para isso máscaras de gorila. As raparigas dedicam-se às mais variadas performances e declaram: “We declare ourselves feminist counterparts to the mostly male tradition of anonymous do-gooders like Robin Hood, Batman, and the Lone Ranger. We wear gorilla masks to focus on the issues rather than our personalities. We use humor to convey information, provoke discussion and show that feminists can be funny (…)” (Prefácio do conjunto de postais Guerrilla Girls Greatest Hits).

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No livro The Guerrilla Girls Art Museum Activity Book de 2004 afirmam: “Rich people have always had a lot of stuff. A few centuries ago, they ran out of room in their palaces and churches, so they started art museums. The Guerrilla Girls love museums and all the art in them, but we worry about them, too. Why do they raise hundreds of millions for new buildings, then complain that they don’t have enough money to buy art? Why do they blow a fortune on a single painting by a white male genius when they could acquire hundreds of great works by women and people of color instead? Why do museum store execs get paid more than curators?” Em Bitches, Bimbos, And Ballbreakers: The Guerrilla Girls' Illustrated Guide to Female Stereotypes (Penguin, 2003) o colectivo leva-nos para um labirinto de estereótipos ficcionais e reais e mostra-nos como estes foram representados através dos séculos. Um conjunto de trabalhos que vale a pena explorar.


14 comentários:
De mouseland a 3 de Dezembro de 2008 às 14:00
:shock::smile::cool::twisted::evil: é difícil ser mais expressivo... :oops::evil::twisted: é no mínimo alucinante :???::twisted::neutral::cry: como estas questôes arrepiam tanto a "male front". Nota-se logo como ficam acossados :cool::oops::grin:... surpreendente! xxx mouse


De male gorilla a 3 de Dezembro de 2008 às 10:12
F***-**
Isto é do cara***
O mundo da pintura contemporânea tá invadido por machos. Da escultura nem se fala. As únicas artes femininas são os bordados e quiçá a literatura de gare (Agatha Christie, JK Rowling, Patricia Cornwell, Barbara Cartland, Clara Pinto Correia, etc., etc. nenhuma deve ser menosprezada...). Porque será que tal domínio é exercido apenas nestas disciplinas?
E o discurso das gorilla girls é mesmo para levar assim a sério? não se tratará antes de um pastiche de um certo feminismo obcecado com as estatísticas????? Conheço uma arquitecta que ficou chocadissima com a proposta de se construirem menos museus pois pelos vistos é graças à construção de museus que a vanguarda da arquitectura pode realmente avançar. Ela disse que isto é muito "reaccionário" antes de ter concluído que as gorillas só "querem é dar baile". Outra das minhas amigas afirmou que de facto o mundo da arquietctura tem demasiada testosterona e concluiu que a proposta das gorillas é justificada pois a decoração e o paisagismo - disciplinas aparentemente menos fálicas - beneficiariam da operação de capanço arquitectónico e as fêmeas que as praticam teriam mais exposição mediática.
Acabámos numa confraternização unisexo com bujecas e massagistas eunucos.


De monty piton a 3 de Dezembro de 2008 às 13:09
para quê gastar uma fortuna a comprar filet mignon quando pelo mesmo preço podemos comprar milhares de febras? :lol:


De monty piton a 3 de Dezembro de 2008 às 13:14
:neutral: referia-me a febras de porco fêmea ou de porco colored, claro está:

para quê gastar uma fortuna a comprar filet mignon quando pelo mesmo preço podemos comprar milhares de febras de porco fêmea ou de porco de côr (preto, amarelo, verde...)?


De gorducha esdruxula a 3 de Dezembro de 2008 às 14:35
O pessoal reage assim não porque se sente acossado mas porque sofre de fortes carências de non sense e de riso às bandeiras despregadas neste tempo de crise.
Conheço Guerilla Girls e realmente não é para levar a sério. É um movimento tarantinesco (referência a um realizador americano).


De monty pithon a 3 de Dezembro de 2008 às 14:39
Why crave for oysters when you can have hundreds of delicious mexilhões? :shock:


De harold & kumar a 3 de Dezembro de 2008 às 14:44
Porquê comprar gatinha angorá com tanta ratinha bonita e económica no ZOO?


De andrade a 3 de Dezembro de 2008 às 15:01
:???::???: Mas quem leva o quê a sério? Alguém levou a sério?


De Laura Fonseca a 4 de Dezembro de 2008 às 00:57
Apesar da propaganda de alguns seres desprovidos de imaginação e de subtileza há que levar a sério o movimento guerilla (e não gorila como pretendeu um histérico participante neste debate). A seriedade não é incompatível com a irreverência nem com a galhofa se houver um fundo estético e feminino. O humor boçal, machista e ressabiado é que é fatal. Não são só os museus que expõem obras fálicas, são também as escolas, os hospitais, o metropolitano, os cinemas e supermercados, teatros, livrarias, ruas e avenidas. Há que combater a burca simbólica com que as instituições culturais nos amordaçam.


De mouseland a 4 de Dezembro de 2008 às 12:40
:mrgreen::mrgreen::mrgreen::mrgreen::mrgreen::mrgreen: Obrigado Laura. A burca simbólica é uma metáfora muito boa! A relação entre alguma seriedade e o humor podem ser duas faces da mesma moeda, mas isso escapa de facto ao espírito buçal e pouco atreito à ambiguidade de alguns entes mais selvagens ou selváticos. A luta pela conquista dos espaços por parte das mulheres chega agora através das quotas à assembleia da república em Portugal. Confesso-me, em certo sentido, nórdica de alma e estou plenamente de acordo que só com a implementação de quotas a voz feminina se fará ouvir. Já passou tempo demais sem que a paridade entre géneros fosse uma realidade... basta de areia nos olhos. xxx mouse


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