Como nem todos terão ocasião de visitar o palácio de Versailles antes do próximo dia 14 de Dezembro, a mouselândia resolveu oferecer cidadania honorária a
, o príncipe do kitsch contemporâneo.
A exposição de Koons no palácio extravagante do Rei Sol não deixa de suscitar enormes polémicas entre os defensores da arte contemporânea, que assumem o que ela pode ter de mais mercantil e provocador, e os puristas que recusam a comparação e o contraponto assaz aliciante entre o absolutismo e a futilidade de ontem e de hoje. A discussão continua aqui na mouselândia.
De
mouseland a 7 de Dezembro de 2008 às 17:22
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: O mister JK já exerceu um maior fascínio sobre mim mas tenho algum respeito pelas suas experiências pós-modernas. Quando andava nas Belas Artes, no início dos anos noventa, o senhor fazia furor com a sua relação mediática com a Cicciolina… no meu grupo de amigos, estudantes de artes, as atenções dividiam-se entre aqueles que achavam a obra interessante e outros que desprezavam totalmente o trabalho do artista… Depois, já no final da década e continuando a minha narrativa pessoal, apareceu o “Puppy” do Museu Guggenheim de Bilbao, escultura que me impressionou bastante. A arquitectura e as artes plásticas contemporâneas encontravam ali o seu expoente máximo numa sinergia difícil de superar no exterior (com Koons) mas também no interior com a mega escultura de Richard Serra. Penso que se houve alguém que contribuiu bastante para levar ao extremo uma ideia sempre presente nas artes plásticas de “arte enquanto negócio” foi Koons mas não o vejo muito distante de Thomas Kinkade. Prefiro estratégias mais discretas como as usadas por Gilbert & George, por exemplo, mas julgo que o "statement" de Koons foi bastante pertinente na época e acabou por completar, em certa medida, as ideias de Andy Warhol. xxx mouse
De
mouseland a 7 de Dezembro de 2008 às 17:32
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Ah! As fotografias estão muito apelativas e mais uma vez a obra do artista americano ganha bastante pela localização estratégica no Palácio do Rei Sol. A “instalação” destas obras parece ganhar uma outra dimensão e chamar à atenção para as distinções modernistas que tudo fragmentam e separam, "arte e design", "arte e arquitectura", etc., chamando de facto a si noções mais renascentistas… Os objectos de Koons parece, segundo consigo antever nas fotos, que sempre ali pertenceram num expoente máximo de mistura e reconfiguração... xxx mouse
De Laura Fonseca a 14 de Dezembro de 2008 às 10:05
Notável a
De Laura Fonseca a 14 de Dezembro de 2008 às 10:15
Notável a ideia desta exposição que vem consagrar a capitalização do património mundial. Milhares de pessoas morrem ao frio enquanto os monumentos se abrem para abritar a obra de bilionários. A burguesia, claro está, aplaude. Jeff Koons tem mais valor enquanto oportunista do que como artista seja do que fôr (excepto se considerarmos que é um ilusionista capaz de virar bugigangas em platina). Sem falar da forma desavergonhada como usa, explora, dispõe, recicla e vomita o corpo feminino. A escultura do urso com o bobby é típica da sua misogenia, tal como esse escandaloso contraponto entre a deputada pornógrafa Ilona (conhecida na Europa como Cicciolina) e a Pantera Rosa. O que o "artista" não diz é a ruina, a decadência, o abandono, o alcoolismo, a miséria...
Ah... o pior é que esta glorificação do pirosismo capitalista vai-se prolongar até 4 de Janeiro. Se lá formos todos vomitar pode ser que se decidam a transformar Versailles em casas para quem necessita.
De
mouseland a 14 de Dezembro de 2008 às 16:34
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Cara Laura, Penso que apresentas um ponto de vista sensato e que seria talvez interessante pensar se esta exposição, num momento de recessão, não vem recordar as excentricidades da Maria Antonieta também produzidas num período de grande crise... uma forma de apaziguar os espíritos pela crise actual no mundo? Almas inquietas que podem ir até ao Palácio do Rei Sol descansar a alma dos noticiários diários sobre a catástrofe...? Essa pode ser uma leitura possível mas há outras...
Não é essa, em certa medida, desde sempre uma estratégia da arte? Iludir de certa forma a realidade com uma alternativa? Criar uma ficção e um espaço de "escape" mais ou menos "seguro"? Não é este "efeito Disney" uma das várias faces da realidade actual... divago certamente mas não me parece sensato transformar Versailles num abrigo para a miséria humana e penso que se calhar seria preferível construir abrigos decentes e levar os mais pobres a visitar as obras de Jeff Koons e a tirarem as suas próprias interpretações a partir das mesmas... os resultados, se calhar, poderiam trazer algumas surpresas... xxx mouse
De
Mimi a 15 de Dezembro de 2008 às 16:12
Posso vir desestabilizar isto? Lancei um Festival de Natal e gostava que participasses :mrgreen: e o Sr Raf também!
Beijinhos
De Django a 16 de Dezembro de 2008 às 21:50
Uma entrevista com o Jeff Koons onde ele fala um pouco da exposição de Versailles:
http://tv.hobnox.com/#/en/CLTR-CTRL/Arteque/ffx3a
De
laca a 17 de Dezembro de 2008 às 02:08
Jeff Koons:shock:Jeff Koons:mrgreen:Jeff Koons:twisted:Jeff Koons:oops:Jeff Koons:roll:Jeff Koons:lol:
*****
De Laura Fonseca a 18 de Dezembro de 2008 às 09:58
Não é com sensatez que se combatem a miséria e o machismo.
De
mouseland a 20 de Dezembro de 2008 às 22:38
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Olá Mimi, Vou ver o que consigo fazer uma vez que estes últimos tempos nem têm dado para grandes actualizações aqui no blog... uma vergonha!
Django, Gostei bastante de ver on-line a entrevista do JK, realmente o discurso é meio :???:, por vezes, biruta, mas os sapatinhos têm piada e a recusa do kitsch e das categorias fazem algum sentido... ui ui se bem o percebo... hehehe... as caixinhas e os compartimentos arrumadinhos... um horror só possível de engolir aos tontos...
Laca, :cool::cool::cool: :mrgreen:
Laura, concordo, eu por mim cada vez tenho menos paciência para a tolerância comprometida. Atira-te a eles! xxx mouse
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