Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009
FIM DE ANO EM ISTAMBUL_2008




Istambul é uma cidade realmente surpreendente. O nosso programa de visitas foi bastante intensivo e o frio não permitiu alguns passeios ao ar livre mas voltei com a sensação que um dia destes vou regressar à cidade de
Orhan Pamuk. No primeiro dia fomos visitar o
Palácio Topkapi e fiquei logo deliciada com a preservação das cozinhas, do harém e de todo o jardim. Aprendi alguma coisa sobre a hierarquia dos sultões e vi as belas jóias do tesouro e a faca “verde”, com a grande pedra de jade. Tomámos um chá de maçã açucarado, a apreciar a vista do Bósforo naquela localização, e lá voltámos à visita. A temperatura rondava os dois graus abaixo de zero e os espaços, fora talvez uma sala ou duas, não estavam muito quentes. Nessa manhã percorremos a ponte de Galata debaixo de chuva, da
Praça Taksim ou, mais concretamente da zona de
Cihangir, até
Sulthanamet.




Na véspera, à noite, ainda fomos andar pelas ruas comerciais perto da
Praça Taksim, a Tiananmen da Turquia, onde no fim de ano há sempre problemas de exaltação de almas bêbadas, segundo reportava um artigo da
Time Out Istanbul daquele período. Este ano não houve nada a assinalar felizmente. Encontrámos logo, quando chegámos, a representação turca do famoso
Wagamama de Londres. Deglutimos um prato de massas com
lemon grass delicioso e uma outra iguaria bastante picante, a comida turca ficaria para mais tarde. Quem resiste ao
Wagamama quando em Lisboa não há nenhum?




Seguiu-se uma ida ao
Istanbul Modern que muito apreciámos. Se a colecção permanente de arte moderna turca é, à excepção de um ou dois quadros, dos quais destaco “Dog Walking Área” de
Ozdemir Altan (1931), desapontante, a exposição temporária “Held Together With Water”, a mostra de vídeos do polaco
Zbigniew Rybcznski, a instalação
new media, “Eye Catching
”, da artista
Jennifer Steinkamp e a localização do museu, encheram-nos as medidas. Mais informações sobre a exposição “Held Together With Water”
aqui. Nessa tarde ainda fomos até ao Gran Bazar, local bastante bem conservado, e ao mercado Egípcio, mais popular e decadente mas também mais genuíno. Ambos bastante interessantes no que toca à imagem das especiarias,
turkish delights (Lokum), e afins. Posso confessar que fiquei viciada nestas delícias turcas e, eu que não sou grande amante de doçaria, fui várias vezes comprar novos espécimes à pastelaria local. Com um chá de maçã, uma delícia turca, um relance do Bósforo, e a uma temperatura acima dos vinte graus, podemos considerar que estamos perto do paraíso. Estas delícias fazem, quanto a mim, parte do cenário de Istambul e estão por todo o lado com todos os seus sabores e feitios. O azeite condimentado com especiarias, ao estilo italiano, é outra iguaria local que substitui, no início da refeição, o nosso pão com manteiga.




No dia seguinte fomos até à mesquita azul e, com os pés descalços ao frio, conhecemos e percorremos aquele espantoso edifício. Seguimos directamente para a também magnífica Aya Sofia, ou Santa Sofia, mas estava fechada. Calcorreamos as ruas do centro e começámos a interiorizar a geografia da cidade. Voltámos no dia seguinte à Aya Sofia e é difícil explicar a sensação que o Museu provoca. É tudo tão surpreendente do ponto de vista visual: a dimensão, o estado de conservação, a atmosfera, a iluminação… que não me parece que consiga encontrar as palavras certas. Entretanto, Istambul já estava progressivamente a entranhar-se. Algures no tempo, fizemos o passeio no Bósforo e vimos do mar, por dez euros cada, o contorno turístico de que fala Pamuk. O lado ocidental e oriental, as duas faces da mesma moeda. Vimos, o que já sentíamos desde que tínhamos chegado, a magnitude daquela cidade, toda virada para o mar, em paralelo com uma decadência enorme, um misto de grandeza e tristeza, de melancolia e altivez. É uma sensação estranhíssima. O design, os restaurantes e bares da moda, misturados com as ruas sujas e os passeios decrépitos. Os gatos e os cães vadios, nos cemitérios, atrofiados entre casas muito estreitas. E eu pensava na ilha para onde tinham sido enviados, em tempos, os cães da cidade de Istambul, para aí morrerem à fome. Mas mais do que cães encontrávamos gatos. Gatos por todo o lado, a remexer os sacos de lixo, também estes em toda a parte, abertos, remexidos... A “gataria” assustou-me algumas vezes mas, fora isso, nunca senti qualquer receio em Istambul, em lado nenhum.




A visita à cisterna do palácio revelou-se outra surpresa, andar pelos confins húmidos da terra e poder ver as duas cabeças de medusa foi um verdadeiro privilégio. Um lugar mágico que se furta também à descrição, é preciso ler o mito da medusa naquele espaço, ver os peixes a nadar no chão banhado de água, noutros tempos lugar de pescaria, e sentir as gotas a escorrer do tecto. A iluminação é de tal forma espantosa que mais uma vez a linguagem não encontra as palavras certas para descrever o ambiente. É preciso ir lá sentir aquilo. Saímos e percorremos outra vez a ponte de Galata, com os seus pescadores de todas as idades. Apanhámos o metro de superfície, depois de termos comprado um Jetón (moeda para introduzir na máquina), com destino a Karakoy. Num dos dias fomos de Túnel, um elevador curioso que nos transportou directamente para a zona de Taksin. Mais moderno do que o elevador de Santa Justa. Quanto a semelhanças entre Lisboa e Istambul apenas as sete colinas e os edifícios muito degradados. De resto, enquanto Istambul está em directa ligação com o mar, Lisboa está de costas. Os turcos, para grande surpresa minha, são de uma delicadeza impressionante, os serviços são muito profissionais e, mesmo nos mercados, não tem tendência para chatear os turistas, ao contrários dos marroquinos, que conheci há trinta anos em Marrocos.




Vim com duas perguntas na alma: porque será que não há mulheres em lado nenhum a servir? Só homens, nos restaurantes, nos cafés, nas mercearias, mesmo em 2009..? Porque será que os turcos são assim delicados e atenciosos? Devido ao lado asiático e a uma certa cultura do detalhe também frequente nas sociedades asiáticas e tão diferente das culturas ocidentais? Não encontrei, ou não quis encontrar, resposta para ambas as questões e tive vergonha de perguntar. No nosso hotel a luz ia abaixo a “torto e a direito” e isto acontecia, segundo nos disseram, porque os estudantes da zona “pilhavam” a energia. Achámos piada à justificação que não tinha piada nenhuma. Tínhamos frio e nevava lá fora. No dia 1 de Janeiro de 2009 andámos, pela primeira vez verdadeiramente ao sol, a percorrer as ruas de Beyoglu, até ao
Palácio de Dolmabahçe, construído no declínio do império Otomano. O ano começou bem.
Olá Mouse. Não tive oportunidade de ir ao Instanbul Modern. Mas já vi que perdi muito... Assim que tenha oportunidade também hei-de postar algumas fotos. * * * *
Profiterole
Queria ainda dizer-te que no Bairro Judeu, perto da Igreja de Chora, vi mulheres a atenderem ao publico. Tanto em cafés como em casas de jogo. Curioso, uma vez que é uma zona menos turistica e onde se vê um maior numero de mulheres a usarem o lenço...
De
mouseland a 19 de Janeiro de 2009 às 15:38
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Pois fomos a sitios diferentes o que dá ainda mais vontade de lá voltar... as imensas possibilidades daquela cidade deixaram-me com saudades, hehehe. Acabaram-se as delicias turcas que trouxe, arghhhhhhh. Mas ainda tenho chá para dissolver, hihihi. xxx mouse
De
mouseland a 19 de Janeiro de 2009 às 15:41
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Só agora vi esta tua segunda mensagem e obrigado! Pois isso ainda intensifica mais o mistério... xxx mouse
De val a 20 de Janeiro de 2009 às 20:11
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De
mouseland a 22 de Janeiro de 2009 às 13:38
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Olá Mimi, Obrigado pelo comentário. O ano começou de facto bem mas eu aprecio bastante esta época do ano, ao contrário do Outono :wink:. Disseram-me que num centro comercial em Oeiras se vendiam delícias turcas mas se conheceres um sítio concreto em Lisboa por favor diz-me. O carregamento que trouxe começa a esgotar-se, hehehehe. xxx mouse
De
Mimi a 22 de Janeiro de 2009 às 11:07
Imagino, quase que visualizo, o teu primeiro de Janeiro frio, limpo e luminoso. Espero que esse dia de Inverno seja a promessa de um 2009 auspicioso! :smile:
Não sei se te interessa, mas já comprei Delícias Turcas aqui em Lisboa! Cá também há! :mrgreen:
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