Sexta-feira, 28 de Outubro de 2011
REALIDADES ALTERNATIVAS _ IGIC 2011



 

Parto amanhã com o P. para Los Angeles, via Filadélfia, para fazer uma comunicação no âmbito dos jogos de realidade alternativa, urbanos e sérios, no evento mais esquizofrénico no qual alguma vez participei (IGIC 2011). Um painel, encomendado pela organização, construído por mim a pedido da chair da conferência, com cinco oradores, três europeus e dois americanos reduzido, por falta de financiamento, a uma apresentação de dois oradores, eu e Jeff Watson da USC. Verdadeiramente alucinante. Um trabalho de meses, um grupo de pessoas mesmo muito interessante, elogiado por várias frentes… E, no final o dinheiro ditou as regras!
 
Depois de uma semana a lutar contra várias debilidades físicas gripais, dores de garganta, corpo, entre outras, e a dar aulas no duro, estou verdadeiramente estafada. Andei com o fantasma da gripe A que tive em Março às costas mas parece ser só uma alergia infectada. No entanto, e depois de toda a canseira da semana que passou, tenho a certeza que depois de amanhã todas as dificuldades vão fazer parte do passado. Afinal, venham lá o passeio da fama, Hollywood e tantas coisas para fazer. Depois, Orange County e os oradores convidados.





 




Terça-feira, 11 de Outubro de 2011
E-LITERATURE E NEW MEDIA ART _ LJUBLJANA






Cheguei a Ljubjana a meio da tarde. No aeroporto de Paris apanhei um avião regional no terminal G e o ambiente do aeroporto, à chegada a Ljubjana, recordou-me algumas “imagens” escritas no livro The Corrections de Jonathan Frazen, que li recentemente, nomeadamente a tentativa de uma das personagens de sair da Lituânia. O seu bloqueio no aeroporto. O edifício aqui era tão pequenino que sair dali em caso de urgência não devia ser fácil. Estava apenas a fazer uma ficção enquanto esperava pela partida do shuttle e via os insectos no ar.


Estive na capital da Eslovénia nos anos noventa do século passado e dessa vez fui de carro. Agora, no aeroporto, e depois de apanhar o mini bus para o City Hotel deliciei-me a actualizar a memória pelas ruas da cidade. Como da primeira vez, com muito sol e calor, Ljubjana pareceu-me encantadora. Nessa altura dormi numa residência de estudantes agora, passados tantos anos, estava bem instalada num hotel. Andei pelas redondezas, comi qualquer coisa e preparei-me para o dia seguinte no qual ia fazer a minha comunicação, Why digital games and networks can help us to change reality and generate concrete changes in social environments?” às 16h. Durante a minha caminhada pela cidade quase esborrachei um rato que se atravessou à frente dos meus pés. Por coincidência, tinha-me esquecido do meu “rato” em casa e tentei comprar um no aeroporto mas não tive tempo suficiente entre aviões. O minúsculo animal escapuliu-se pelos esgotos e eu senti que era um bom presságio para o dia seguinte.

De manhã, depois do pequeno-almoço, revi Janez Strehovec, que conheci o ano passado numa conferência em que ambos participámos em Maribor, também na Eslóvenia. Janez é filósofo e professor associado na Universidade de Ljubjana. Neste encontro, era o investigador principal do projecto e anfitrião do seminário de E-Literature e New Media Art. Antes de ir para a Eslovénia descobri, nos meus arquivos, um texto do autor, de 1997, para a revista digital C-theory. Mais uma coincidência interessante. Percebi que tinha vindo no mesmo avião e mini bus que Philippe Bootz de França e aos poucos fui compreendendo quem era quem no meio de um ambiente que parecia bastante familiar para a maioria dos outros participantes.









A manhã começou com uma apresentação geral de Janez Strehovec e Scott Rettberg da Universidade de Bergen na Noruega. Depois seguiram-se as comunicações de Alexandra Saemmer de França, Roberto Simanowski dos Estados Unidos e Saskia Korsten da Holanda. Da semiótica aplicada à literatura digital a alguns exemplos de “remediação” invertida. A seguir ao café, uma apresentação interessante de Giovanna di Rosario, uma italiana a viver na Finlândia, que mostrou alguns exemplos práticos a pontuar os conceitos, nomeadamente um trabalho do português Rui Torres e outro artefacto jogável. Dubraka Duric, da Sérvia, fez uma exposição de alguns trabalhos gráficos de artistas sérvios e fomos almoçar.

O almoço, servido no hotel, foi um sofrimento para mim que antes de qualquer comunicação, seja numa aula ou numa conferência, tenho que gerir muito bem o que devo ou não comer… uma verdadeira degustação de saladas e carne suculenta que teve que ficar no prato.

A contribuição seguinte foi da artista espanhola Maria Mencia, a viver há muitos anos em Londres, e que apresentou o seu trabalho e fez algumas considerações sobre o tema da literatura electrónica. Seguiu-se a sempre estimulante perspectiva de Janez Strehovec, uma análise aliciante que muito se inspira em algumas ideias dos game studies e/ou da e-literature associada aos estudos sobre narrativa, ficção interactiva e gaming. Uma forma discursiva mais original e transdisciplinar, o que me agrada bastante, e que é desconcertante e sempre bem preparada. A apresentação seguinte, do suíço Beat Suter, abordou questões associadas à vigilância e aos locative media e veio reforçar o meu bem-estar pois não só foi das mais interessantes como serviu de prólogo, em matéria de estratégia gráfica mas também na temática, à minha intervenção.

Depois dos meus vinte minutos de fama fizeram-me algumas perguntas, respondi o que consegui pois, por vezes, as perguntas encerravam já em si as respostas e eram todas dirigidas à minha inspiração no trabalho de Jane McGonigal e não no meu próprio projecto pessoal, ou seja, eram algo direccionadas para outra pessoa. Ora, tive que optar por uma certa brusquidão, em alguns casos, o que levou Markkus Eskelinen, da Finlândia, a pedir-me posteriormente desculpa pois de facto estava a ler o livro de Jane McGonigal e as dúvidas que tinha apresentado eram em relação ao optimismo dela e não à minha apresentação. Eu respondi-lhe com o conceito de acidente em Paul Virilio e confesso que me deu gozo responder a um nórdico com um autor tão controverso. Foi estranho mas quando sai cá para fora, para o Coffee Break, recebi imensos cumprimentos, uma honra. Um australiano e um americano elogiaram-me a temática e o interesse da apresentação, a Giovanna di Rosario disse-me que tinha sido muito profissional e pediu-me algumas ligações, o poeta inglês, John Cayley, a viver nos Estados Unidos, disse-me que tinha gostado. No dia seguinte mais algumas pessoas da Eslovénia, e não só, disseram-me que também tinham apreciado. Confesso que a coisa me deixou satisfeita principalmente porque muito se resume ao trabalho que tenho em preparar aqueles minutos um a um e não ir para um evento destes ler o que escrevi.









Como me pediram em tempos, quando fui a Vancouver em 2008, faço sempre uma comunicação que funciona como complementar ao artigo que redigi e não me resumo a ler o trabalho em público. Muitos dos participantes deste evento resumiram a sua apresentação a uma leitura acelerada do que escreveram previamente e isso é tão frustrante para quem está a ver e a ouvir. Nem umas imagens com excertos do texto ou uma âncora visual para os autores citados. Isto ainda é mais grave quando os autores nem têm um inglês muito compreensível. A ideia deveria ser criar interesse pelo trabalho escrito. Enfim, a última sessão da tarde consistiu em três apresentações provenientes da Eslovénia, Aleš Vaupotič, Narvika Bovcon e Teo Spiller, autores provenientes das artes visuais e do design. Nas suas apresentações reflectiram sobre trabalhos artísticos fazendo pequenas montras de obras de artistas eslovenos e enquadrando, do ponto de vista teórico, essas mesmas obras.


Nessa noite fomos jantar ao restaurante Šestica. Um banquete composto por entrada, sopa do tipo guisado, a qual infelizmente repeti duas vezes a pensar que era o prato principal, prato principal “gigantesco” de carne, acompanhado por vegetais, puré e salada e, finalmente, uma sobremesa. Mais uma vez tive que pedir desculpa pelo meu apetite comedido. Quando saímos as ruas estavam em festa, muita gente dedicava-se às danças de salão num aglomerado informal. A temperatura estava óptima.


O dia seguinte teve início com a comunicação de John Calley, algo enrolada e, como o próprio à noite confessou, pouco preparada. Foi interessante mas deixou-me demasiadas dúvidas sobre aquilo que se queria realmente defender, argumentar. Um misto entre linguagem, materialidade do medium, tipografia, design transparente e Marshall McLuhan. Nada de novo, de facto. Revisões de textos e jogos de palavras. Philippe Bootz de França girou à volta de autores conhecidos e mais uma vez tive a sensação que um monólogo estava em curso, ou um texto repetido, lido vezes sem conta a partir de tantos autores possíveis. Markku Eskelinen era dos intervenientes mais esperados por mim, cito-o com frequência nos meus textos, tenho seguido o seu trabalho e confesso que fiquei estupefacta com a impenetrabilidade da comunicação. Leitura em voz baixa do texto, os olhos pegados à folha de papel, a mostrar uma timidez evidente mas, até eu que estou bastante familiarizada com os temas, game studies e afins, não consegui seguir aquele formato, nem sequer o conseguia ouvir bem. Depois do café, uma sessão de dois autores eslovenos. Uma das intervenções mais interessantes do encontro, proveniente de Maja Murnik, com um powerpoint onde dava para ir seguindo o texto e os autores, sobre as extensões do corpo na Arte New Media. Por fim, Bojan Anđelković apresentou um vídeo e teceu algumas considerações à volta de (Techno)dispositifes in Contemporary Art Practice: Fifty-year Theater Performance Noordung 1995-2045:: by Dragan Živadinov. Ambos os autores eslovenos estão, neste momento, a preparar as suas teses de doutoramento.







Depois do almoço, fomos dar um passeio até ao Castelo, uma vista maravilhosa sobre a cidade que conheci há anos e que agora tem muito mais turistas. Na altura, o Castelo estava deserto agora estava repleto de gente a tirar fotografias, a apanhar sol, a namorar, ou outra coisa qualquer. No caminho conheci Simon Biggs, australiano a viver em Edimburgo, e com quem passei algum tempo. Trocámos experiências artísticas, académicas e falámos bastante. As performances da tarde contaram com a colaboração de conhecidos intervenientes, John Cayley, Scott Rettberg, Philippe Bootz, Alexandra Saemmer, Simon Biggs, Talan Memmott e Jaka Železnikar. A sala do seminário encheu-se de garrafas de vinho e o ambiente era muito descontraído. Foi bastante divertido e algo retro. Jantámos no hotel e , de seguida, fomos até um bar perto no centro. Era o último dia do encontro.









No dia seguinte fui visitar, com o Simon Biggs, dois dos quatro pólos da 29th Biennal of Graphic Arts de Ljubljana, criada em meados dos anos cinquenta do século XX. A bienal propõe uma reflexão sobre “o evento” artístico e subdivide-se em quatro temas, i. e., generosidade, violência, ritual e vazio. A temática deste ano pretende fazer uma reflexão sobre "o evento artístico" como um meio de expressão e inquirir o papel de inúmeras acções, performances, gestos, happenings, projectos interactivos, entre outros, no ambiente de museus e galerias. A questão que se coloca interpela o visitante no sentido deste se questionar porque é que vemos tantos eventos nas práticas das artes contemporâneas que, por tradição, se relacionam com a preservação e apresentação de obras estáticas? Como é que em particular “o evento” se transforma num veículo aceitável para tão grande variedade de conteúdos que apontam para preocupações artísticas e estéticas? Beti Žerovc, comissária da bienal, questiona a significação de tanta produção num contexto onde, em décadas recentes, as instituições artísticas não só alojaram e exibiram arte contemporânea como também encomendaram e produziram eventos performativos de vários géneros, transformando-se, assim, em comissários de arte contemporânea com um tipo de objectivos que antes apenas a igreja e os aristocratas se podiam dar ao luxo de promover. Como sugere a obra de Gregor Kregar no “evento” artístico nada é de graça e o gesto ou acção do artista sempre traz alguma coisa para este e, portanto, não existe sem motivo. Mesmo quando Manuel Hartmann oferece cabazes de compras a pessoas desconhecidas faz isto para poder filmar um vídeo que é posteriormente apresentado no contexto do museu ou da galeria (catálogo da exposição pp. 23-33).










Na casa/mansão Tivoli apreciámos o tema da generosidade e, mal entrámos, fomos recebidos com um abraço pelo casal de artistas americanos Brainard & Delia Carey (colectivo de artistas Praxis). Na noite anterior, dia da inauguração da bienal, tinha havido sangria para os visitantes. Numa das divisões seguintes roubámos um dos livros de Dora Garcia, Steal this book (capa) ou Volez ce livre (contracapa) das edições Paraguay Press. Visitámos a pastelaria improvisada numa das salas e mais algumas obras e seguimos para o Museu de Arte Moderna onde se explorava o tema da violência. Muitas das peças aqui expostas são antigas e já circularam bastante. Salienta-se, no contexto desta mostra, o tema da violência através de alguns vídeos que exploram uma queima de livros (Karmelo Bermejo, Espanha, 1979, recebeu 3000 euros do estado para comprar livros e para os queimar numa performance pública), de carros (Ant Farm, São Francisco, 1975, e Dalibor Martinis, Zagreb, 1979), uma performance onde se quebram inúmeros tigres de porcelana (Marcello Maloberti, Itália, 1966) e uma montagem cinematográfica feita a partir de um happening, quanto a mim das obras mais interessantes em exposição, de cenas de violência entre a audiência de uma bancada em Times Square. Esta acção foi inspirada por cenas de filmes clássicos como Vertigo de Alfred Hitchcock (1958), O Coraçado Potemkin (Sergei Eisenstein (1925), entre outros. As cenas de violência dos vários filmes foram rearranjadas e interpretadas por seis actores diferentes.


Depois das visitas culturais deglutimos um sumo vitaminado numa esplanada do centro, fomos ao hotel ter com Philippe Bootz e partimos os três para o aeroporto de táxi. Em Paris cada um seguiu o seu destino. A minha terceira vez na Eslovénia e já tenho vontade de voltar.




Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011
SEMINÁRIO _ E-LITERATURE AND NEW MEDIA ART _ LJUBLJANA _ 22 E 23 DE SETEMBRO

 

 

Na próxima quarta-feira de manhã parto para a Eslovénia para o Seminar on E-Literature and New Media Art que decorre no City Hotel em Ljubljana nos dias 22 e 23 de Setembro. O seminário é organizado no âmbito do projecto europeu Electronic Literature as a Model of Creativity and Innovation in Practice (ELMCIP) um projecto de investigação financiado pelo programa Humanities in the European Research Area (HERA) JRP for Creativity and Innovation e que envolve sete instituições académicas e um parceiro não institucional que irá investigar como é que as comunidades criativas se formam num contexto transnacional e trasncultural num ambiente de comunicação globalizada e distribuída. Este projecto inclui “The University of Bergen, Norway (PL Scott Rettberg, Co-I Jill Walker Rettberg), the Edinburgh College of Art, Scotland (PI Simon Biggs, Co-I Penny Travlou), Blekinge Institute of Technology, Sweden (PI Maria Engberg, Co-I Talan Memmott), The University of Amsterdam, Netherlands (PI Yra Van Dijk), The University of Ljubljana, Slovenia (PI Janez Strechovec), The University of Jyväskylä, Finland (PI Raine Koskimaa), and University College Falmouth at Dartington, England (PI Jerome Fletcher), and New Media Scotland” (mais aqui).

 
A minha apresentação e respectivo texto têm como título “Why digital games and networks can help us to change reality and generate concrete changes in social environments?” No artigo que deu origem à minha comunicação de dia 22 de Setembro investiga-se a aplicação de técnicas e ambientes de jogo no sentido de questionar como é que algumas decisões de design participativo nos podem ajudar a escrutinar alguns dilemas do mundo real. A partir de projectos concretos na área dos pervasive games, e. g., do tipo alternate reality game ou ARG, o objectivo deste trabalho é promover e expandir o campo dos jogos transmedia experimentais num contexto vasto de criação artística. Assim, exemplos como Investigate your MP's Expenses (The Guardian, 2009), World Without Oil (ITVS, 2007), Superstruck, Invent the Future (IFTF, 2008), Evoke (2010) e Brincar com a Poesia (2010) ajudam-nos a considerar como é que os playable media podem ser úteis na criação de novas plataformas de acção participativa que nos podem ajudar a resolver problemas concretos do mundo real.



Terça-feira, 2 de Agosto de 2011
REYKJAVIK _ ICONOGRAFIAS






















Segunda-feira, 1 de Agosto de 2011
ISLÂNDIA INDEPENDENTE, TANTA TERRA PARA TÃO POUCA GENTE













No dia 16 de Abril parti com o P. para a Islândia via Heathrow, Londres, viajamos com a Tap e depois com a Icelandair. O dia em Lisboa estava quente, umas das mais elevadas temperaturas do ano, saímos de casa cedo com os casacos de inverno na mão. A Islândia é um país que há muito queríamos conhecer e esta parecia a oportunidade ideal uma vez que Portugal acabava de pedir o resgate ao FMI, ao Banco Central Europeu e à Comunidade Europeia. A crise da Islândia intrigava-nos desde 2008. Os islandeses recusaram-se a pagar as dívidas que os seus bancos privados contraíram junto aos contribuintes holandeses e ingleses depois de um referendo promovido pelo Presidente da República.

Quando chegámos a Reykjavik estava um frio imenso e começou a nevar. Depois de instalados no Hotel Björk fomos dar uma volta pela cidade. O frio rapidamente se revelou insuportável. As minhas roupas de inverno estavam muito aquém do necessário, enrolava o cachecol à volta da cabeça e mesmo assim de meia em meia hora tínhamos que entrar em qualquer sítio quente. A meio da tarde fomos comer uma sopa ao já célebre Café Locki (aqui). Um caldo típico e delicioso de vegetais e carne. Nessa noite fomos seduzidos pela notícia de um jornal local, escrito em inglês, que dizia maravilhas da nova ementa do Banthai e acabámos por descobrir este surpreendente restaurante tailandês (aqui). A entrada era bastante suspeita, algo desleixada, mas a comida e o ambiente interior uma maravilha. Provámos a nossa primeira cerveja islandesa, uma Viking, ainda sem saber que a cerveja esteve proibida no país, entre 1915 e 1989, o que despoletou um dia comemorativo a esta bebida, o dia 1 de Março.













Reykjavik é uma cidade bastante pequena, alberga quase dois terços da população islandesa que é constituída por cerca de 320 000 habitantes. O território islandês é maior que o português. Tanta terra para tão pouca gente. No dia seguinte explorámos a cidade de lés a lés, não é difícil mas o frio não ajudava. Na aliciante loja de design islandesa 66º North (aqui) comprei uma camisola de peluche com capuz branca, aconselhável para a neve, como devolviam os impostos, por vezes, logo no acto de aquisição, acabei a comprar também um casaco em saldos. Marketing que funciona. Os islandeses andam todos com camisolas locais, típicas, com umas decorações tribais. Os casacos das inúmeras lojas 66º North vêem-se por todo o lado e são tão giros que não dá para resistir. A loja de crianças é deliciosa e, por sorte, embora os islandeses não sejam particularmente altos eu visto tamanho de criança logo os preços baixam substancialmente nos mesmos modelos de adultos, ab fab! À noite fomos a um simpático restaurante do centro e provámos o bacalhau fresco e a truta salmonada, duas especialidades da gastronomia local, que não é nada variada.

Dois dias depois fomos buscar o carro alugado e começámos a nossa jornada pela Islândia sem nada marcado. O guia aconselha o turista a fazer-se acompanhar de um estojo completo de primeiros socorros e vários mantimentos alimentares. No início estas instruções parecem demasiado cautelosas mas depois de alguns quilómetros na estrada percebe-se perfeitamente a razão de ser de tal advertência. A possibilidade de um nevão, de uma avaria, numa terra tão selvagem e preservada, é uma eventualidade. Andam-se distâncias infindáveis sem nada à nossa frente a não ser a estrada, a Ring Road, que contorna quase a ilha toda. Não existem praticamente nenhuns cafés, mercearias, supermercados... nada para abastecer a não ser mesmo bombas de gasolina e, por vezes, o único restaurante é mesmo o da bomba de gasolina. Em poucos dias fizemos aproximadamente mil e setecentos quilómetros e, se tivéssemos em época alta, muitas áreas que estavam, nesta altura, fechadas, estariam abertas e muito mais haveria a explorar.














O Golden Circle é uma experiência única, as cascatas de gullfoss, os geysir e o local mágico que é pingvellir, aqui descrito pelo blogue O Factor Humano de forma irrepreensível: “(…) embora não se vejam claramente os fragmentos de dezenas de antigos abrigos temporários dos clãs, construídos com pedra e turfa, estes locais estão relativamente bem documentados ao longo de vários painéis informativos. O famoso livro do século XII, Book of Icelenders, Islendlingabók na língua nativa, que descreve os primeiros passos da história da Islândia, dedica uma parte da sua escrita à intensa procura por um espaço conveniente para albergar uma assembleia comunitária, que teria de se localizar numa zona facilmente acessível para todos. E de facto encontraram um lugar muito especial para o efeito.” E o autor continua: “Aconselho vivamente, para quem tenha tempo, a passar lá um dia inteiro a deambular pela planície ao longo do rio Öxará. Na direcção do edifício de madeira da igreja, de 1859, pode ver-se a profunda fissura Flosagjá e, no seu extremo, a piscina de águas límpidas Peningagjá. Com ainda mais tempo o visitante pode optar, no verão, por pescar no lago Pingvallatan, mergulhar nas águas geladas do rifte Silfra, onde certamente se deslumbrará com a enorme visibilidade e com as impressionantes paredes verticais das duas placas tectónicas, ou optar por outras actividades ao ar livre.” (O Factor Humano, 2011).













Chegámos a Vik por volta das seis da tarde e, por pouco, não ficámos sem jantar. Sem qualquer problema para arranjar quarto no Country Hotel Hofdabrekka as nossas opções de jantar resumiam-se ao hotel ou à bomba de gasolina, ou oito ou oitenta... Optámos por ir até à bomba na esperança de uma saborosa sopa de carne à moda islandesa, desiludidos com a ementa do hotel, mas acabámos a comer um
hambúrguer e a beber uma cerveja Gull. Caímos na cama estoirados pois tínhamos andado bastante durante o dia, a pé e de carro.
 




















A paisagem da Islândia nesta altura já se tinha revelado de uma magia que não dá para descrever em palavras, o apelo da terra é imenso, tudo muda a toda a hora, a turfa, a cor do céu, a neve, o laranja das pedras e da lama… a Ring Road modifica-nos. Algures num centro informativo li a lenda do duende que alimentava o pássaro para que este lhe cantasse enquanto trabalhava. Em troca da música o pássaro recebia comida. Uma moral tão diferente da história da cigarra e da formiga… Os islandeses têm bastante orgulho na música, tradicional, erudita, pop, electrónica, entre tantas formas. Num vídeo que se pode ver durante o voo para
Reykjavik conta-se a história da proliferação da música electrónica nos anos noventa na capital islandesa. Dois ou três “empresários” criaram uma ligação intensa entre Londres e a cidade nórdica e assim fizeram dela um pólo bastante apetecível para músicos que aí se vêem compensados pela sua criatividade através da disponibilização de boas condições para ensaiar, tocar, etc. A Islândia não é só a Björk, os Sigur Rós ou os GusGus mas estes artistas ajudaram, certamente, a colocar a música islandesa no circuito internacional.

 












Seguimos caminho, sempre pela Ring Road, até Breiðdalsvík, ficámos instalados no pacato Hotel Blafell onde comemos umas deliciosas costeletas de borrego, a única escolha da lista que não incluía
hambúrgueres. A senhora que nos recebeu na recepção do hotel, com uns sessenta e muitos anos, era a mesma que cozinhava, servia as mesas e o bar. Na altura, estavam lá poucos hóspedes, mais um casal de turistas para além de nós, o resto eram adolescentes das redondezas que ali vinham buscar ou comer hambúrgueres e ver televisão. Um indivíduo dos seus vinte e poucos anos insistia em arrotar alto para toda a sala, o ambiente geral era campestre. Perto dali não havia mais nenhum sítio para passar o tempo, almoçar ou jantar. Como em todos os povoados da ilha Breiðdalsvík tinha um imponente Post-in (correios).












Continuámos até Akureyri, a segunda maior cidade da Islândia. Um lugar pitoresco mas sem grande interesse ou particularidade. Ficámos hospedados no Hotel Kea, jantámos entre franceses e espanhóis que ali estavam possivelmente pela oferta de desportos de inverno. À noite demos uma volta pela igreja, museu de arte e centro cultural. No dia seguinte decidimos continuar viagem, era sexta-feira santa e nem nos apercebemos que possivelmente seria complicado encontrar lugar para dormir no campo ou mesmo nas cidades mais pequenas. A nossa deambulação pelo norte acabou com uma passagem pela Lagoa Azul e com a decisão de voltar para
Reykjavik antes do previsto. Desta vez tínhamos um apartamento à nossa espera, um sítio simpático, com vista sobre os telhados da cidade, felizmente não houve problema por termos chegado antes do previsto, numa sexta-feira santa...












A Lagoa Azul revelou-se um verdadeiro centro turístico, artificial, e sem grande encanto. Um monte de turistas, mesmo a chover, chegam ali de carro e/ou camioneta, compram entradas para uma piscina de água sulfurosa e banham-se em manada numa experiência que, no entanto, não quisemos deixar de experimentar. Existem diferentes tarifas para o bilhete o que pode ou não incluir toalha, roupão, duas bebidas no bar da piscina… O centro é um health club enorme com gente a mais, temos direito a pulseira no braço como nos festivais e tudo! Aguenta-se lá dentro uma hora e se, por acaso, se tem o azar de entrar pelas traseiras do aparatoso sistema de banhos os tubos da engrenagem são uma imagem que fica muito longe do paraíso. O dia estava cinzento o que também não ajudou mas sinceramente e, segundo nos disseram mais tarde, há outros sítios desta natureza mais intimistas e agradáveis.
 
Em Reykjavik passámos mais uns quatro dias óptimos. Visitámos o fabuloso The National Museum of Iceland, um dos museus mais bem estruturados do ponto de vista da comunicação que visitei. Cada sala tem uma animação multimédia em touch screen, muito bem feita, que conta a história da Islândia a partir de vários temas como, por exemplo, Origin of the Icelanders, Book of the Settlements, The Commonwealth, Heathen Graves, Transition from Paganism to Christianity, From Turf to Stone, entre outros. Depois, numa sala com vários computadores podem consultar-se estas pequenas narrativas de forma linear e perceber imensa coisa sobre o país. Os Islandeses são descendentes de vikings noruegueses que passavam em Inglaterra para ir buscar mulheres e rumavam então para a ilha para aí se instalarem. Há, ainda hoje, imensos contadores de histórias por aquelas terras. Sendo um dos povos menos misturados do mundo está a decorrer há já vários anos, neste museu, um estudo sobre o ADN dos islandeses. Aqui, se percebe também como a Islândia era, até ao início do século XX, um país muito pobre, uma terra de nómadas. Vale mesmo a pena conhecer este museu (saber mais aqui). A pobreza pode ainda perceber-se pela humildade das casas revestidas a chapa mas acima de tudo e, à semelhança de outros países da crise, i. e., Irlanda e Portugal os carros de luxo proliferam.

 








Visitámos o Reykjavik Art Museum, o que se revelou um estranho acontecimento. O edifício do museu é interessante mas no andar de baixo estava uma exposição indescritível, mais ainda porque muito pouca coisa estava em inglês e não se percebia nada em matéria de intenções. Se numa das salas a exposição era verdadeiramente pop, uma mistura de design de objectos, música, arquitectura, obras de simulação de empresas biológicas e afins. Numa outra, oscilava-se entre o freak, camionetas de portas escancaradas com mobília dentro, um conjunto composto por uma baliza e relva artificial, uma sala de chat/performance com uma artista em videoconferência e, finalmente, um conjunto alargado de roupa pendurada que parecia compor o reportório de uma peça de teatro. Num andar superior, ainda uma fiada de obras desta natureza experimental, encontrámos um ou dois altares de estilo Kitsch, fotografias bastante corriqueiras e esculturas que confesso já não me recordo muito bem de que eram compostas. Só mais tarde percebi que se tratava da exposição de finalistas da Iceland Academy of the Arts, uma mostra de estudantes do departamento de Artes Plásticas, Design e Arquitectura. De resto, quando cheguei ao segundo andar fiquei deliciada com a exposição de Erró, nascido em Reykjavik, um artista que eu sempre adorei, desde os meus tempos de Paris, no final dos anos oitenta, início dos noventa. Já na altura paguei uma fortuna por um livro da sua obra que ainda hoje guardo. Foi um privilégio poder ver um conjunto de 130 colagens doadas pelo artista em 1989 a este museu. Em 1989 estava a viver em Paris, o muro de Berlim caiu, e eu, aprendia a adorar a ironia de Erró. De repente, viajei completamente no tempo. Foi mágico. Erró fazia parte daquele puzzle. Poucos autores visuais me entusiasmam tanto pela sua erudição, pela sua ironia, pela representação gráfica que denota uma requintada capacidade de composição. Mágico. Depois da tralha um toque de magia.
 
Numa das noites em Reykjavik fomos ter com um casal de amigos ao Café Babalú, um português e uma francesa que, como estavam em casa de um islandês, que por sua vez namorava com outra francesa, ouviram histórias curiosas. Contaram-nos que lhes tinham dito que quando passassem em cima de pontes de carro deviam apitar para deixar que os duendes tivessem tempo de largar as mãos se eventualmente lá estivessem pendurados. Contaram-nos que tinham andado na rota dos estudantes de Erasmus pois os islandeses estavam-se nas tintas para quem não fala a língua deles. Contaram-nos que tinham ido a um concerto no campo onde toda a gente tinha aparecido com as camisolas rústicas da Islândia. Contaram-nos que só havia um chinês e um negro na ilha e que ambos andavam sempre juntos. Não são histórias só possíveis num país onde a terra é muita para tão pouca gente? Uma coisa é certa os islandeses são mesmo um país independente (aqui).



Quarta-feira, 27 de Julho de 2011
PARABÉNS PELAS TESES CONCLUÍDAS!



De Janeiro ao início de Maio de 2011 três alunos meus de mestrado da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa defenderam as suas teses. Três teses por projecto que receberam, duas delas, a classificação de 18 valores e, uma terceira, a classificação de 17 valores. Duas defesas na área das Ciências da Comunicação, variante Comunicação e Artes, e outra para obtenção do grau de mestre em Novos Media e Práticas Web.








A primeira tese foi elaborada por Pedro Suspiro
e tem como título Profissões, sinergias entre o vídeo interactivo e o 3D estereoscópico, foi defendida no dia 10 de Janeiro de 2011 às 11h e o Júri foi constituído pelo Prof. Doutor Paulo Viveiros da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (arguente), pelo Prof. Doutor Francisco Rui Cádima (Presidente do Júri) e, finalmente, por mim como orientadora da tese. O autor viu reconhecido o seu grau de mestre em Novos Media e Práticas Web, com a nota final de 18 Valores.


Como se pode ler no resumo da tese disponível on-line aqui: “Os actuais modelos interactivos aplicados ao vídeo remetem-nos para as mesmas práticas de navegação utilizadas nas grelhas de conteúdos Web. Estas práticas tornam a interactividade limitada do ponto de vista da narrativa, uma vez que apenas permitem ao espectador escolher o sentido do rumo da história, quase sempre através do recurso à hiperligação. Nesta tese, procura-se implementar no vídeo um novo tipo de experiência interactiva, explorando as sinergias entre o vídeo interactivo e o realismo do 3D estereoscópico com vista a uma maior experimentação sensorial do utilizador/observador. Para o efeito, foi criado um protótipo interactivo que consiste num documentário de vídeo sobre profissões em vias de extinção, onde o espectador, através dos seus movimentos, consegue alterar as acções do personagem, contribuindo para a modificação do curso da narrativa. Totalmente filmado em estereoscopia, o projecto aborda aspectos ligados à produção, captação e realização, definindo padrões standards deste tipo de linguagem fílmica. No campo da interactividade, desenvolveu-se um algoritmo responsável pela detecção de movimentos e todo o controlo da timeline do vídeo.” (Suspiro, 2010: on-line)






 

A segunda tese foi concebida e produzida por Fernando Nabais e tem como título A Autópsia Digital do Cinema, Um mapa pessoal dos encontros do cinema com o computador, foi defendida no dia 14 de Janeiro às 11h e o Júri era constituído pelo Prof. Doutor António de Sousa Dias do IPA, Instituto Autónomo de Estudos Politécnicos (arguente), pela Profª. Doutora Maria Teresa Cruz (Presidente do Júri) e, finalmente, por mim como orientadora do trabalho. O autor viu reconhecido o seu grau de mestre em Ciências das Comunicação, variação Comunicação e Artes, com a nota final foi de 18 Valores por unanimidade.

Como se pode ler no resumo da tese disponível on-line aqui: “A autópsia digital do cinema pretende ser uma investigação exploratória das relações do cinema com o computador, mapeada num percurso pessoal de referências e objectos artísticos que a balizam e orientam. Pretendeu-se desenvolver uma análise referenciada num conjunto de obras que reinterpretam o cinema e que se encontram formatadas pelo computador. Conceitos da teoria do cinema são aqui revistos e analisados sob a lente das teorias dos novos media. Em paralelo com esta tese foram desenvolvidos três projectos de criação artística que se pretenderam posicionar como expressão prática de algumas das questões teóricas formalizadas [As instalações Umberto D igital Haiku I e II e o espectáculo mix media .TXT]. Estas peças, foram também resultado dos estímulos gerados por este percurso formativo e propulsionaram esta investigação que, por sua vez, foi sendo também sempre inspiração para o desenvolvimento criativo das obras, num processo iterativo que foi sendo natural ao longo deste trajecto.” (Nabais, 2010: on-line)


 


 




Finalmente, a terceira tese foi realizada por Iana Ferreira e recebeu o título Acto-Luz, projecto de Instalação de Arte Digital, foi defendida no dia 4 de Maio de 2011 às 11h e o Júri foi constituído
pelo Prof. Doutor António de Sousa Dias do IPA, Instituto Autónomo de Estudos Politécnicos (arguente), pelo Professor Doutor João Mário Grilo (Presidente do Júri) e, finalmente, por mim como orientadora do trabalho. A Autora viu reconhecido o seu grau de mestre em Ciências da Comunicação, variante Comunicação e Artes, com a nota final de 17 Valores com unanimidade.

Como se pode ler no resumo da tese disponível on-line aqui: “Perante o actual panorama de cruzamento entre ciências e artes e, após um estudo das áreas envolvidas, propõe-se a instalação Acto-Luz, de arte digital. Esta instalação conjuga os parâmetros emoção e luz. Como forma de expressão da emoção surge aqui o gesto e como demonstração da luz, operam-se a sua intensidade, cor e forma. Num espaço fechado, a gestualidade dos braços dos intervenientes é mapeada por um programa de computador que irá, segundo parâmetros pré-estabelecidos, atribuir-lhe uma emoção a qual será representada sobre a forma de imagens de luz projectadas numa tela que abrange todo o espaço. Estas imagens irão assim envolver o participante, estimulando neste um sentimento emocional. A instalação Acto-Luz forma assim um ciclo de acção-reacção, fomentando a experimentação. O projecto teve como bases de trabalho a investigação das áreas Emoção, Luz e Cor. A partir destas estabeleceram-se pontos de ancoragem entre parâmetros inerentes a cada uma das áreas, sistematizando os elementos recolhidos - sob a forma de correspondências - para formar um conceito global segundo o qual se rege a instalação.” (Ferreira, 2010: on-line)

Aos três alunos desejo as maiores felicidades e expresso publicamente os meus sinceros parabéns pelo trabalho desenvolvido no âmbito dos seus mestrados.

 




Terça-feira, 26 de Julho de 2011
SOB O SIGNO DOS "PLAYABLE MEDIA" E DOS "ALTERNATE REALITY GAMES" (ARGs)



Em Março de 2011 ficou concluída a quinta edição do Atelier de Artes Digitais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa que estive a leccionar no primeiro semestre. Foram avaliados na totalidade vinte alunos. Os ateliers de 2009, 2008 e 2007 podem ser consultados nos links inseridos nas datas anteriormente citadas. A edição de 2006 não está documentada on-line. No total, este ano, foram concebidas e produzidas cinco obras distintas que passo de seguida a apresentar. Nesta edição, fiz um pedido especial aos alunos o qual consistia na tentativa destes pensarem, para além de uma obra de artes digitais, também numa forma ou experiência lúdica, ou seja, que pensassem que a obra a produzir deveria ser também um jogo ou um playable medium.







O projecto “Catch It!” consistiu numa instalação lúdica concebida para um espaço público, site specific, neste caso concreto, o espaço do metro de três cidades distintas, a saber, Lisboa, Nova Iorque e Barcelona. Cada cidade tinha um ícone diferente, uma sardinha, uma maçã e um réptil e o transeunte, enquanto esperava pela sua carruagem de metro, ia apanhando, através de um sistema de vídeo tracking programado em processing, os elementos que apareciam num ecrã instalado na estação. Depois, podia dirigir-se a um photomaton e tirar a sua fotografia com o objecto virtual capturado. Finalmente, num sítio on-line o participante podia consultar a evolução das interacções nos três espaços físicos. Os criadores deste artefacto mix media consideram que: “a arte no espaço público deve contribuir para fortalecer a identidade e o reconhecimento das particularidades das cidades (Lossau, 2009). A primeira decisão unânime que tomámos relativamente ao que viria a ser o nosso projecto prendeu-se com a vontade partilhada de que ele introduzisse um apelo à interacção das pessoas no espaço público” (texto do dossier de trabalho dos alunos). Misturando referências variadas como, por exemplo, a obra Text Rain de Camille Utterback e Romy Archituv (1999) com o movimento Situacionista de Guy Debord e ainda com os trabalhos de natureza auto-exploratória de Scott Snibe e da dupla Antenna Design (Sigi Moeslinger e Masamichi Udagawa), os autores construíram um sistema lúdico que envolve as pessoas de forma imersiva num curto espaço de tempo, uma interacção de passagem numa qualquer estação de metro. De uma simplicidade gráfica assinalável a proposta de interacção desta experiência é igualmente sedutora na forma como alia pequenos gestos corporais, um sistema tecnológico facilmente descodificável, o photomaton e o sistema de vídeo, a uma interface que permite aos participantes ficarem com um registo da sua actuação ou performance informal. Uma criação e produção conjunta de Cláudia Ribeiro (Publicidade e Marketing), do italiano Francesco De Faveri (Tecnologias da Comunicação) e Joana Fernandes (Design de Equipamento).






 

A instalação interactiva Playgate funciona em formato Quiz, um questionário concebido para as salas de espera e terminais de embarque dos aeroportos. Esta peça, transformada numa marca, i. e., Playwait, Playtrain, com um design muito atractivo e contemporâneo, inspirou-se em painéis interactivos criados pela IBM para o aeroporto de Nova Iorque, no Barclays Interactive Walkway, criado pela empresa portuguesa Ydreams, para o aeroporto de Lisboa, e no Disque Hotel produzido para o aeroporto de Brasília. O projecto investiga alguns sistemas de interacção sensorial, nomeadamente motion tracking ou superfícies sensíveis à pressão como, por exemplo, o GroundFX, o Pressure Sensitive Floor, o Sensacell e o Lambent Reactive. No entanto, no protótipo final acabou por optar-se por um dispositivo do tipo consola de jogos inspirado no jogo Buzz! e no comando da Super Nintendo (1990). Os jogadores podem jogar em simultâneo, em português ou inglês, e é um jogo gratuito não competitivo onde a intenção é ensinar às pessoas algumas curiosidades sobre cultura geral. Uma criação e produção da equipa constituída por Jorge Sousa (Som e Imagem), Mariana Cardoso (Ciências da Comunicação), Nuno Madureira (Comunicação Social), Sofia Lamas (Design de Equipamento) e Tiago Rodrigues (Arte e Multimédia).







Place
é um Alternate Reality Game (ARG), jogo urbano, “que combina as plataformas digitais com a realidade. O conceito do jogo mistura diferentes desafios que utilizam discursos e dispositivos provenientes da cultura digital, com o tecido físico da cidade de Lisboa. O objectivo do jogo é encontrar hotspots que estão colocados em diferentes locais da cidade. Para descobrir a sua localização, cada jogador terá de desvendar diferentes tipos de pistas, que correspondem a “micro-jogos” cujo final revela ou aponta a localização física de um hotspot na cidade. Cada hotspot tem um código que permite desbloquear o nível seguinte do jogo.” (texto do dossier de trabalho dos alunos) As influências para a construção desta narrativa fragmentada são inúmeras: I love Bees da 42 Entertainment, um projecto de 2004 que mistura marketing e artes digitais e que pretendia envolver os fãs do jogo Halo 2 da Microsoft numa ficção interactiva, Flynn Lives, um ARG concebido para promover o filme TRON:legacy, Perplex City, uma intriga que durou dois anos, Conspiracy for Good, uma organização ficcional, City Hunt, um projecto que visa promover trabalho de equipa nas empresas através dos jogos e, finalmente, ARGNet, uma rede que compila e disponibiliza informação sobre ARGs. Com um excelente design o projecto foi concebido e produzido pela equipa constituída por Cláudia Sequeira (Design de Comunicação), Inigo Pereira (TV Broadcasting), José Andrade (Comunicação Social) e Rui Miguel (Design Industrial).







O projecto Viriato visava criar uma plataforma apartidária on-line de contestação onde o roubo da estátua do Viriato na cidade de Viseu servia como base de um jogo especulativo sobre o futuro de Portugal. O trabalho arrancou como um happening, ao estilo dos ARGs, e propõe uma reflexão sobre a instabilidade nacional, as relações internacionais, o pessimismo vigente e o cinzentismo apático. Assim, sugerem os autores da parábola: “o que assumimos é a consciência de um mal-estar generalizado, que também tem raízes numa vocação cultural para a inércia, que pode ser contrariado com mudanças promovidas por elementos anónimos da sociedade, por nós próprios, através de uma cidadania viva, que deve ajudar a encontrar soluções estruturais.” (texto do dossier de trabalho dos alunos). Do projecto fazem parte um conjunto de vídeos, uma página no facebook e um site institucional. Este artefacto activista foi inspirado por inúmeros projectos disponíveis on-line como, por exemplo, os ARGs World Without Oil (ITVS, 2007), Superstruck (IFTF, 2007), Can you see me now?
(Blast Theory, 2005), Manzo Comparso (JWT, 2005) e The Beast (42 Entertaiment, 2001) a Associação Popolo Viola e a University for Strategic Optimism. Uma criação e produção da equipa constituída pelo italiano Andrea Niccolucci (Técnicas Publicitárias), Hélder Alves (Promoção Artística e Património), Marco Caretas (Comunicação e Multimédia) e Nuno Prudêncio (Comunicação Social).







Finalmente, um quinto grupo de quatro alunos deste atelier de mestrado concebeu e produziu um eventual jogo para a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas com o nome “Descobre a FCSH”. Com inúmeros problemas de equipa e uma desorganização evidente na produção de conteúdos, e depois de várias tentativas de conciliação da minha parte para que se entendessem, o grupo acabou por finalizar o atelier apresentando trabalhos individuais, variações sobre o mesmo tema. Neste sentido, e embora já tivesse acontecido antes um problema num outro grupo deste atelier, foi com alguma pena que vi desintegrar-se um trabalho que parecia à partida tão promissor. Esta equipa era constituída por João Alves (Artes Plásticas / Pintura), Luís Nascimento (Promoção Artística e Património), Sara Branco (Comunicação Social) e Vânia Jinliu (Relações Públicas).


Deixo as minhas sinceras felicitações aos alunos pelos projectos criados e produzidos no âmbito da edição do atelier de Artes Digitais de 2010/11 que se concentrou no mote dos jogos como artefactos centrais a toda a criação artística contemporânea e à cultura digital. No âmbito da edição deste ano os alunos tiveram oportunidade de ir ao lançamento do meu livro na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, no dia 16 de Novembro de 2010. Este livro aborda algumas questões fundamentais da área das artes digitais e foi apresentado pelo Professor Doutor Henrique Garcia Pereira (IST) e pelo Prof. Doutor Manuel José Damásio (ULHT). A centralidade nos playable media e nos jogos do tipo ARG trouxe “uma baforada de ar fresco” ao clima na sala de aula e permitiu ensinar artes digitais de uma forma mais aberta e inclusiva.




Segunda-feira, 25 de Julho de 2011
VIAGEM A HONG KONG _ NATAL DE 2010















Parti para Hong Kong no dia 19 de Dezembro com direcção a Zurich. Sobrevoar a cidade suíça foi magnífico pois a luz de final de tarde incidia na neve que cobria a terra e eu senti-me a fazer parte de um cenário de uma embalagem de chocolates. O ambiente parecia irreal e, naquele momento, flutuei através do branco da paisagem. Uma imagem de Natal muito autêntica e tão distante do cliché natalício. Em Zurich apanhei o avião que me levou ao destino esperado. Era a minha segunda vez na cidade chinesa e o livro que trazia comigo, o Idoru, de William Gibson, não podia ser mais apropriado. A minha estada desta vez era na ilha de Kowloon. Em 2007 tinha estado precisamente do outro lado da cidade e a experiência é muito diferente (saber mais aqui). Kowloon é mais pobre, as lojas de luxo dão lugar aos tascos informais e muitas vezes encontrei semelhanças com São Paulo.










Fiquei instalada no Metropark Hotel Kowloon e, no dia seguinte, 21 de Dezembro, parti cedo para conhecer a Universidade onde decorriam as conferências do 2nd International IEEE Consumer Electronics Society Games Innovation Conference, na City University of Hong Kong. Logo cedo foi possível ouvir a comunicação (tutorial) de Adrian David Cheok sobre história e futuro do design de interacção [“History and Future of Interaction Design”]. Uma interessante viagem pelos protagonistas do design interactivo como muitas intervenções por parte do público o que, por vezes, impossibilitou a compreensão de todo o raciocínio do autor que acabou por se dispersar. Seguiu-se a apresentação (tutorial) de Kevin McGee dedicada ao tema do design adaptativo para aumentar a satisfação do jogador [“Designing Adaptative Games to Increase Player Enjoyment”].
 

Almocei com Samad Ahmadi, chair da conferência, com quem tinha trocado imensos e-mails ao longo dos três últimos anos, desde o primeiro evento em Londres. Samad Ahmadi é de origem iraniana mas está a viver há mais de 16 anos em Londres onde lecciona, nos últimos anos, engenharia aplicada a jogos digitais e a sistemas interactivos, na De Monfort University (DMU). No último dia do evento em Hong Kong apresentou uma comunicação subordinada ao tema da aplicação de sistemas de entretenimento para o ensino da matemática.











Durante a tarde Adrian David Cheok foi keynote speaker num dos melhores momentos do evento ao apresentar trabalhos desenvolvidos no Mixed Reality Lab da National University of Singapore, nomeadamente Huggy Pajama, Age Invaders, Human Pacman, entre outros projectos de interacção entre espaços físicos e virtuais, realidade aumentada e jogos urbanos. A comunicação tinha o título:
[“Embodied media with mixed reality for social and physical interactive communication and entertainment”]. Nesse dia sucederam-se apresentações provenientes da Noruega, Finlândia, Espanha, Estados Unidos, entre outros países. Ao final da tarde estava tão cansada que não cheguei ao cocktail de recepção e voltei para o hotel, comi num “tasco” bastante informal, levei duas maçãs para o quarto e fui ler Gibson até me aperceber que estava com um tremendo jet lag.


O dia 22 de Dezembro foi preenchido a ouvir as comunicações de Rod Walsh do Nokia Research Center sobre a aplicação de modelos personificados às experiências de jogo [“Introducing game and playful experiences to other application domains through personality and motivation models”], a apresentação de Swen Gaudi do Fraunhofer (IDMT) da Alemanha à volta de taxonomias aplicadas aos jogos [“Taxonomic contributions to digital games science”], Jeff Sinclair da Austrália, em videoconferência, levou-nos à introdução de sistemas sensoriais, i. e., mecanismos de feedback para controlar a intensidade do exercício físico aplicados aos sistemas playable, nomeadamente a aplicação de sensores de mapeamento do batimento cardíaco entre outras possibilidades [“Testing an exergame for effectiveness and attractiveness”]. Seguiu-se uma sessão especial em 3D Gaming e estereoscopia dada por Istvan Andorka da Universidade da Irlanda, entre outras apresentações interessantes.









Nessa noite fomos jantar a um excelente restaurante na própria universidade. Depois do “protocolo” de degustação, e quando mais de metade da sala já tinha abandonado o local, ficámos até bastante tarde a ouvir histórias sobre Hong Kong contadas por Robin Bradbeer, inglesa recentemente jubilada pela City University of Hong Kong e que vive há mais de trinta anos na cidade. Regressei para o hotel com a Robin e, depois de lhe garantir que sabia o resto do percurso que faltava, acabei perdida à meia-noite nas ruas de Koowlon. Hong Kong é dos sítios mais seguros que existe, de mapa na mão lá encontrei o meu hotel depois de meia hora de pânico. Entrei numa loja e logo percebi que tinha tomado a direcção oposta, com a poluição, as luzes e a lente de contacto suja qualquer sítio parecia igual ao anterior.


No dia seguinte tinha que estar na Universidade antes das nove da manhã pois, para além da minha apresentação, estava a moderar uma sessão na área dos serious games. Não preguei olho. Jet lag... "Idoru" is my companion. Asia track; "don't be racist, Chia. _ I'm not. Classist, then. _ It's a matter of aesthetics" (Gibson, p. 15). O jet lag continuava e mesmo quando conseguia dormir uma hora logo acordava à uma ou duas da manhã e já não conseguia voltar a dormir. Nesse dia não preguei olho. Depois percebi que outras pessoas se queixavam precisamente do mesmo. Na manhã seguinte, sem pequeno-almoço, pois o organismo também estava todo trocado em termos alimentares, lá fui para a Universidade e a manhã correu bastante bem. O Samad Ahmadi, o Kenneth Oum, da Drexel University nos EUA, o Swen Gaudi e o Stephen Jacobs, do Rochester Institute USA, apareceram na minha sessão como tinham prometido antes. Infelizmente a Annakaisa Kultima estava a fazer a sua apresentação em simultâneo e não pudemos ver a sessão uma da outra. A sala estava composta para a hora da manhã. Os outros oradores eram um grego proveniente de uma universidade Suíça, Apóstolos Malatras, e um chinês vindo de uma universidade da Noruega, Bian Wu.











Nessa tarde as sessões acabaram cedo e tínhamos agendada uma visita ao impressionante pólo futurista Cyberport acompanhada pela Robin Bradbeer. Foi um passeio bastante interessante com uma apresentação expressamente feita para nós de algumas incubadoras na área dos jogos digitais. Um espaço surpreendente que pode aqui ser consultado. Antes do passeio fui espreitar o futuro edifício do Creative Media Center (CMC) da City University de Hong Kong, ainda em obras, criado pelo estúdio de Daniel Libeskind. Depois da ida ao Cyberport fomos ver um espectáculo de fogo de artifício e jantámos num restaurante japonês de massas [noodles] Odon que eu muito aprecio. No dia seguinte tínhamos que estar antes das nove da manhã na Asia Game Show.













Mais uma noite em branco e, nesse dia, comecei a sentir-me estranhíssima, a ressentir bastante o jet lag. O meu corpo estava no meio do romance de Gibson, entre personagens de banda desenhada e criaturas bizarras. Na Asia Game Show assistimos à conferência de imprensa com o presidente da Sony. Mais tarde o senhor deixou-se fotografar rodeado de meninas japonesas de chapéu de pai Natal, um momento hilariante. Não compreendi uma palavra dos performers em palco mas um deles parecia uma estrela conhecida da televisão, dada a afluência de fãs. A conferência de imprensa oscilava entre o japonês e o chinês e a minha recente amiga Narisa Chu foi traduzindo algumas frases mas todo o espectáculo era impossível de seguir. A Asia Game Show revelou-se uma enorme desilusão. A Nintendo não tinha qualquer presença, a Xbox também não, e tudo se resumia ao sistema Move da Playstation e a um interessante gadget do tipo nave espacial comandada por i-phone. Ao fim de duas horas já nada nos retinha por ali, já tinha visto todo o cosplay que conseguia, uns miúdos chineses já me tinham pedido o autocolante que nos davam à entrada do evento para irem comprar a sua Playstation 3 pois, segundo a Narisa Chu me explicou, não tinham privilégios para tal e precisavam do “dístico”. A Mário Ai Competition, organizada pelo Russo Sergey Karakovskiy no âmbito da Games Innovation Conference, só acontecia à tarde e não valia a pena perder mais tempo por aquelas paragens.



 

 


 



Assim, eu, a Annakaisa e o namorado, que entretanto chegara a Hong Kong, Lauri Leskinen, o Kenneth e o Stephen decidimos ir explorar os museus da cidade. Depois de uma degustação de pato à moda chinesa, em mais um “tasco” de rua, fomos ao Hong Kong Museum of Art onde tivemos oportunidade de explorar a exposição “Touching Art Louvre’s Sculptures in Movement”, uma bizarra colecção de reproduções do Louvre tocáveis, seguida de uma interessante mostra de seis obras criadas por artistas de Hong Kong sobre o tema do toque. A exploração da dimensão táctil procurava acentuar a ideia da possibilidade de uma arte sem fronteiras. Daí, seguimos para o Museu do Espaço onde vimos um filme sobre o universo e uma exposição bastante interessante com algumas peças de realidade virtual e simuladores da atmosfera espacial. Às seis da tarde estava tão cansada que já não conseguia acertar nas teclas do telemóvel.

Era dia 24 de Dezembro e a minha noite estava comprometida. Todos iriam sair mas eu tinha que regressar ao hotel e dormir. Estava exausta e a viagem de regresso a Portugal, via Zurich, era já no dia seguinte. Por um lado, tinha uma vontade imensa de ir explorar os restaurantes japoneses do mercado, onde os meus colegas estavam a pensar jantar, por outro, a fadiga era tal que tinha medo de já nem conseguir aguentar a lente de contacto no olho. Às sete da tarde estava na cama com uma sopa rápida e uma colecção de maçãs verdes, umas maças maravilhosas que só por lá se encontram, suculentas. Telefonei, via skype, para a família e deitei-me, caí imediatamente em sono profundo. Na manhã seguinte escrevi na minha página do facebook: "skype christmas _ I had to shut down for a while _ I was so tired... This morning I reborn from the dead after ten hours of slepping _ next: back home: Hong Kong _ Zurich * Zurich _ Lisbon." Nessa noite, às nove horas, a Narisa Chu ligou-me para o quarto a perguntar se não queria ir explorar um mercado de noite no dia da consoada. Disse-lhe que estava tão exausta que não conseguia fazer nada e voltei a adormecer. Combinámos almoçar no dia seguinte e ir para o aeroporto juntas.













No dia de Natal fui almoçar com o Samad, a Narisa e o Stephen a um restaurante chinês muito bom e falámos já do evento deste ano na Califórnia cuja chair é a Narisa. O Samad, na noite anterior, tinha acabado a jantar num McDonalds e também não tinha conseguido sair. Mais uma consoada skype. De seguida, fomos as duas, eu e a Narisa, explorar um mercado de rua onde encontrei o relógio cubo que o P. me tinha pedido. Foi uma experiência hardcore para o último dia, de computador e livros às costas, aprendi a negociar à chinesa e andámos quilómetros até conseguirmos alguma coisa pois a Narisa, proveniente de Taiwan, domina muito bem as estratégias negociais da sua cultura e fala a língua local o que é certamente uma grande vantagem. Por volta das cinco horas da tarde partimos de autocarro para o aeroporto, eu só tinha avião às 23 horas, mas o tempo não era assim tanto quando tinha quase todas as comprar de Natal por fazer.


Esta estada em Hong Kong foi uma verdadeira aventura. Senti uma liberdade que só a Ásia me dá. Foi qualquer coisa que tinha que fazer e, talvez por isso, diverti-me a conhecer as pessoas que encontrei. O mundo inteiro num só evento. Desta vez trouxe muitas saudades de Hong Kong.




Domingo, 24 de Julho de 2011
A MOUSELÂNDIA ESTÁ DE VOLTA!


A mouselândia está de volta com novo design e novos posts. O interregno de sete meses deveu-se ao facto deste espaço ter sido exportado de plataforma, adoptou novas funcionalidades e um novo estilo gráfico. De resto, os últimos tempos foram muito intensos como se poderá apreciar pelo conjunto de textos que a seguir se publicam. Uma nova fase agora se inicia. Bem-vindos!


tags:


Domingo, 19 de Dezembro de 2010
GIC2010_GAMES INNOVATION CONFERENCE + ASIA GAME SHOW

gamesinnovationconference.jpg


gamesinnovationconference_1.jpg


asiagameshow.jpg

Parto amanhã para Hong Kong, via Zurich, onde vou participar no encontro GIC 2010, Games Innovation Conference. No dia 23 de Dezembro apresento a comunicação “Playing with Poetry a Portuguese Transmedia Experience and a Serious ARG” na City University of Hong Kong e modero a mesma sessão que se situa na área dos Serious Games. Dia 24 de Dezembro espero ir visitar o evento Asia Game Show. Dia 25 de Dezembro volto para Lisboa via Zurich e dia 26 de Dezembro já cá estou. A mouseland deseja a todos um excelente Natal de 2010 e informa os leitores que este ano trocou o Pai Natal pelo Super Mário.


marioatchristmas_2.jpg


marioatchristmas_1.jpg
 




.mais sobre mim
.pesquisar
 
.Outubro 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
29

30
31


.posts recentes

. REALIDADES ALTERNATIVAS _...

. E-LITERATURE E NEW MEDIA ...

. SEMINÁRIO _ E-LITERATURE ...

. REYKJAVIK _ ICONOGRAFIAS

. ISLÂNDIA INDEPENDENTE, TA...

. PARABÉNS PELAS TESES CONC...

. SOB O SIGNO DOS "PLAYABLE...

. VIAGEM A HONG KONG _ NATA...

. A MOUSELÂNDIA ESTÁ DE VOL...

. GIC2010_GAMES INNOVATION ...

.arquivos

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

.tags

. apostas

. arte e design

. artes e design

. cibercultura

. ciberfeminismo

. cibermemórias

. cinema

. colaborações

. divulgação

. enigmas

. entrevista

. exposições

. festas

. game art

. gamers

. iconografias

. indústria de jogos

. interfaces

. jogos e violência

. livros sobre jogos

. mouse conf.

. mouse no obvious

. mouseland

. myspace

. pop_playlist_game

. portfólios

. script

. segredos

. séries tv

. teatro

. textos

. viagens

. todas as tags

.links
.participar

. participe neste blog

.MOUSELAND _ PATRÍCIA GOUVEIA
ARTES E JOGOS _ DIGITAIS E ANALÓGICOS
blogs SAPO
.subscrever feeds