Terça-feira, 11 de Agosto de 2009
“DUPLO AMOR”_ UM PÊNDULO DE EMOÇÕES
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Two Lovers (James Gray, 2008) é um daqueles melodramas que não se esquecem facilmente mesmo que se comece a duvidar do caleidoscópio de emoções que conta a história de um possível doente bipolar e dos seus amores desesperados. Entre a loucura do amor-paixão com Michelle Rausch (Gwyneth Paltrow) e o solene compromisso com Sandra Cohen (Vinessa Shaw), Leonard Kraditor (Joaquin Phoenix), oscila como um pêndulo até se ver encurralado pelo conjunto de manipulações em que se deixou sucumbir. Sandra quer tratar de Leonard. Leonard talvez considere que consegue tratar de Michelle. Michelle parece saber que ele não é capaz de o fazer. Tudo na acção se resolve exteriormente à vontade de Leonard, numa dança concertada, em que todos sabem o que é melhor para o protagonista e onde este pode afinal a todos agradar. Ao sabor dos seus próprios estados de espírito, hoje eufóricos, amanhã melancólicos, como a sua presumível doença, de lá para cá… o duplo sentido de cada uma das mulheres. Se o final fosse outro, o filme seria, quanto a mim, certamente moralista mas a tese contrária também é possível. Ópera e fado fazem parte da banda sonora e ajudam a contextualizar o conjunto de enquadramentos detalhados onde os tumultuosos sentimentos de Leonard se encaixam numa fotografia encantatória. 

Falta dizer que normalmente embirro bastante com Joaquin Phoenix e também com o lado sonso de Gwyneth Paltrow. Neste filme, no entanto, revelam-se ambos tão disfuncionais que é bastante interessante o contraste com o que é habitual nas suas performances. Em Two Lovers parecem dois adolescentes à procura de um sentido qualquer e sempre propensos à asneirada, potenciam-se. Isabella Rossellini é uma pérola, terna e serena, no papel de mãe de Leonard, sempre à espreita nos buracos das portas e nos interstícios das acções bizarras do filho. Tudo no seio de uma família com origens russas que vive do negócio da limpeza a seco. No início do filme, o protagonista chega a casa todo molhado depois de uma tentativa suicida onde perdeu alguma roupa da lavandaria dos pais. Naquele momento da sua errante trajectória pendular, e depois de ter optado pela vida, parece ser Leonard que precisa de uma limpeza a seco, como só os pais lhe podem proporcionar. O inferno das suas oscilações deve ser imenso.




10 comentários:
De laca a 11 de Agosto de 2009 às 23:15
:lol::lol::lol:
« Si on ouvrait les gens, on trouverait des paysages. Moi, si on m’ouvrait, on trouverait des plages. » (Agnès Varda).


De laca a 11 de Agosto de 2009 às 23:19
:roll::roll::roll:
Isabella Fiorella Elettra Giovanna Rossellini (Roma, 18 giugno 1952) è un'attrice e modella italiana. Figlia d'arte, nasce dal matrimonio dell'attrice svedese Ingrid Bergman con il regista italiano Roberto Rossellini.


De rafgouv a 12 de Agosto de 2009 às 08:24
Como todos - todos - os filmes de James Gray (e este é praticamente um remake melodramático do precedente thriller "We Own The Night"), "Two Lovers" fala da forma trágica como a família e a hereditariedade determinam e limitam as escolhas e opções das personagens. Não se trata de moralismo, nem de psicologismo (a pista "bipolar" não passa de poeira irónica pois sabemos desde o início que o que motiva a tentativa de suicídio de Phoenix é mais uma decepção amorosa) mas sem dúvida de um fatalismo que não é certamente estranho às origens (e constante cenário: Brighton Beach, Coney Island, os bairros eslavos de Brooklyn) russas do realizador.

Não penso que haja realmente hesitação na personagem de Phoenix em "Two Lovers": ele gostaria de poder realizar a sua paixão com Paltrow mas não pode escapar à luva protectora (e castradora?) de Sandra. Inversamente, Paltrow gostaria provavelmente de se consagrar a um amor tranquilo mas não pode escapar ao magnetismo de Manhattan (prestígio, cultura, dinheiro?). Estão ambos "prisioneiros" de uma genealogia (imigrantes russos vs americanos) e de uma geografia (Brooklyn vs Manhattan) que condenam a sua breve relação ao fracasso.

Ja em "We Own The Night", Phoenix, dividido entre a sua família "de sangue" (a policia do seu pai Robert Duval e do irmão Mark Wahlberg) e a "adoptiva" (a mafia russa e Eva Mendes...), acabava por ser forçado a um supremo e inevitável sacrifício/escolha...

Mas o filme de Gray que prefiro continua a ser o incandescente "The Yards", verdadeira actualização de tragédia grega, com os fétiches do realizador Phoenix e Wahlberg e com Faye Dunaway, Charlize Theron e James Caan... Se alguém ainda duvida que Gray é um dos maiores realizadores contemporâneos...


De mouseland a 13 de Agosto de 2009 às 00:14
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Olá Laca e Rafgouv, obrigado pelos comentários. Consigo perceber o teu ponto de vista, Rafgouv, mas acho que não posso descartar assim tão facilmente o problema psicológico, neurológico, biológico... que ali está implícito na tentativa de suicídio inicial, aliás, porque como é dito no filme a noiva é impedida de casar com ele devido precisamente à sua doença. Acho que não se trata só de poeira mas de algo bem real e presente em todo o filme. A história da toma dos comprimidos é recorrente. Também gostei bastante do "We Own The Night" e ainda bem que falas dele pois eu não me lembrei e julgo que acrescenta uma layer pertinente na questão das origens e do laço apertado da família. "The Yards" acho que não vi... xxx mouse


De rafgouv a 13 de Agosto de 2009 às 08:10
Os filmes de Gray falam de problemas universais (e intemporais) e não de patologias individuais... Quanto à refêrência a problemas "biológicos" (??????) ou "neurológicos", estou gago...
O "problema" de Phoenix é o querer livrar-se da sua identidade e o filme mostra o processo gélido da sua resignação. Há obviamente quem considere que essa resignação é sinonimo de maturidade e há quem considere, de forma menos moralista, que se trata (também? sobretudo?) de uma forma de rendição. Acho que devias ler um dia JD Salinger, fazia-te bem.


De mouseland a 30 de Agosto de 2009 às 14:58
Arght :mrgreen::mrgreen::mrgreen: é claro que já li :mrgreen: Salinger! Penso que a biologia é universal e acho piada às recorrentes teorias que separam instâncias assim com tanta ligeireza. Então quando se fala de cultura por oposição à biologia como se a biologia não estivesse imersa em aspectos culturais adoro! Keep it! xxx mouse


De rafgouv a 1 de Setembro de 2009 às 09:03
Welcome back! Durante a sua ausência ganhou o titulo tão cobiçado de Grã-mestra Tautologica da Ordem do Silogismo Ilogico! Greatest Congratulations!


De Lurdes Monteiro a 1 de Setembro de 2009 às 13:26
Acho que ele pode ser diferente pela força que ele tem, em todos os sentidos. Eu acho que ele tem vontade de fazer e deve-se dar-lhe forças para ele fazer porque senão também não vai a lado nenhum.


De emigrante a 1 de Setembro de 2009 às 13:28
Fui emigrante 20 anos, estou a receber 200 euros e daqui nem 250 euros recebo. Sou obrigada a estar aqui sem poder. Era bom que tirassem a quem nunca trabalhou e tem boa saúde e dessem a quem não tem saúde e tem de estar a trabalhar


De mouseland a 16 de Setembro de 2009 às 13:48
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Nem sei que acrescentar à variedade dos últimos comentários. xxx mouse


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