Sexta-feira, 3 de Novembro de 2006
UMA VERDADE INCONVENIENTE
algore.jpg

Fui finalmente ver “Uma Verdade Inconveniente” de Davis Guggenheim com Al Gore pois só agora estreou no Brasil. O que mais me impressionou no filme foi a incapacidade expressa do vice-presidente de Bill Clinton (1992-2000) se fazer ouvir durante anos e após tantas conferências… “o maior cego é aquele que não quer ver” e apesar do documentário mostrar inúmeras evidências sobre a questão do aquecimento global do planeta a cegueira ainda parece generalizada. O editorial de hoje do New York Times, “Avoiding Calamity on the Cheap”, mostra bem como o boicote é a palavra de ordem e como o aquecimento do planeta continua a levantar suspeições contínuas. Ao que parece os norte-americanos ainda não se convenceram da importância de tomar medidas mas nós temos que acordar: “[You] I Need to Wake Up” (tema principal do filme de Melissa Etheridge). A deturpação que os media fazem das questões ambientais é outro aspecto curioso mas o silêncio, no documentário, em relação aos oito anos de Al Gore na Casa Branca também é estranho… Activista desde sempre em matéria ambiental percebemos que esteve envolvido no protocolo de Kyoto e que parece esbarrar constantemente com a ineficiência em matéria ambiental… O documentário mostra algumas motivações pessoais intimistas (o acidente do filho, a morte da irmã) mas as suas motivações políticas são enubladas por algumas considerações algo optimistas como a ideia de que a utilização de algumas tecnologias renováveis podem resolver o problema do planeta a curto prazo. James E. Lovelock, polémico cientista inglês em entrevista recente à revista Veja, levantou algumas questões em relação à utilização do álcool, do biodiesel, etc., pois estes materiais também não são nada incólumes uma vez que são feitos a partir da utilização de recursos que exploram a Terra. Al Gore, um apaixonado do choque tecnológico expresso pela dupla Heidi e Alvin Toffler, é irresistivelmente optimista mas para já o futuro é negro.


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6 comentários:
De migalha a 8 de Novembro de 2006 às 16:00
O documentário é equilibrado, nem piegas nem alarmista. É a visão realista, também interesseira, como não podia deixar de ser, de um homem, o auto-designado “ex-futuro presidente dos Estados Unidos”. É um trabalho interessante com uma excelente fotografia e com um ritmo narrativo muito agradável. Nada apocalíptico mas também não demasiado optimista. Tem a dose certa em face da gravidade da situação. Contrariamente ao que tu dizes, mouse, o problema da falta de interesse por estes assuntos não me parece ser só um problema americano mas sim mundial. Vê lá quantas pessoas comentaram este teu novo assunto. Se não fosse aqui a sempre atenta visão canídea, farta que está de tanto humano burro, népia de népia! Se bem que os políticos lá de terras do tio Sam não tenham assinado o protocolo de Kyoto, mesmo este sendo apenas um paliativo e nunca um remédio, não me parece que os nossos queridos dirigentes europeus, ou outros, estejam demasiado preocupados com o assunto. Aliás, basta ver a iniciativa californiana, Proposition 87, secundada por muitos holliwoodescos, para se constatar que já começa a haver uma franja significativa da população americana a despertar para estes assuntos. A diminuição prevista das emissões de “gases de estufa”, greenhouse-gas, de acordo com o protocolado lá nessa terra dos senhores da guerra, não está a ser cumprida com seriedade pelos signatários. Por exemplo, a indústria automobilística europeia está com dificuldade, ou com falta de vontade, de diminuir as emissões de CO2 dos escapes dos seus bólides. E porquê? Porque o consumidor gosta é de potência, aceleração e barulho, quanto mais melhor! Isto só lá vai ou com porrada ou com uma mudança dramática da forma de pensar dos consumidores. Mas este exemplo é apenas um dos ângulos da questão. O que fazer em relação ao sistemático e criminoso corte de árvores das florestas, aos fogos criminosos e sazonais, à produção de energia, à falta de eficácia térmica dos edifícios, à indústria, sempre atenta à subida dos impostos e muito distraída em relação à sua poluição ambiental, etc, etc? E o que dizer do relatório Stern, que parece já condenado ao ostracismo, que recebeu apenas alguns, poucos, comentários quase desinteressados e algumas críticas, vinculadas na media, de alarmista e pouco rigoroso? Mas porque não há gente a comentar este pioneiro, e importante, documento acerca do aquecimento global que levou ano e meio a ser elaborado? Terão as pessoas a noção de que se nada for feito de imediato daqui a duas ou três décadas viver aqui neste planeta começará a ser uma seca, na verdadeira acepção da palavra? Como adoramos varrer as nossas merdazinhas para debaixo do tapete... E ainda falam das avestruzes! Com o ser humano é sempre o habitual, depois logo se vê, tudo se há-de resolver... E os nossos queridos ambientalistas, desatentos e mudos, a preocuparem-se, uns, com bichinhos da seda, e outros, com promoção política! Estamos entregues à bicharada...


De mouseland a 9 de Novembro de 2006 às 16:02
Olá migalha! :mrgreen::mrgreen::mrgreen::twisted::twisted:

Queria pedir autorização para fazer um post a partir desde teu comment que achei muito interessante. Seria um excerto do global:

"Se bem que os políticos lá de terras do tio Sam não tenham assinado o protocolo de Kyoto, mesmo este sendo apenas um paliativo e nunca um remédio, não me parece que os nossos queridos dirigentes europeus, ou outros, estejam demasiado preocupados com o assunto. Aliás, basta ver a iniciativa californiana, Proposition 87, secundada por muitos holliwoodescos, para se constatar que já começa a haver uma franja significativa da população americana a despertar para estes assuntos. A diminuição prevista das emissões de “gases de estufa”, greenhouse-gas, de acordo com o protocolado lá nessa terra dos senhores da guerra, não está a ser cumprida com seriedade pelos signatários. Por exemplo, a indústria automobilística europeia está com dificuldade, ou com falta de vontade, de diminuir as emissões de CO2 dos escapes dos seus bólides. E porquê? Porque o consumidor gosta é de potência, aceleração e barulho, quanto mais melhor! Isto só lá vai ou com porrada ou com uma mudança dramática da forma de pensar dos consumidores. Mas este exemplo é apenas um dos ângulos da questão. O que fazer em relação ao sistemático e criminoso corte de árvores das florestas, aos fogos criminosos e sazonais, à produção de energia, à falta de eficácia térmica dos edifícios, à indústria, sempre atenta à subida dos impostos e muito distraída em relação à sua poluição ambiental, etc, etc? E o que dizer do relatório Stern, que parece já condenado ao ostracismo, que recebeu apenas alguns, poucos, comentários quase desinteressados e algumas críticas, vinculadas na media, de alarmista e pouco rigoroso? Mas porque não há gente a comentar este pioneiro, e importante, documento acerca do aquecimento global que levou ano e meio a ser elaborado? Terão as pessoas a noção de que se nada for feito de imediato daqui a duas ou três décadas viver aqui neste planeta começará a ser uma seca, na verdadeira acepção da palavra?"

POSSO EDITAR?

xxx mouse


De MQ a 13 de Novembro de 2006 às 15:47
Cara Pat
Não pude deixar de ler estes comentários ao tema do aquecimento global e, no geral, concordo que não é possível ficar indiferente à msg do documentário, até pq do pto de vista da imagem/comunicação está mto bem feito. Uma questão importante a reflectir que também resulta desta polémica é a que se refere às diferenças regionais nas emissões dos GEE. Ou seja, as economias mais ricas são as que tb mais contribuem para o aumento dos GEE pois o mapa da produção e consumo de minérios e de combustíveis fósseis ao nível mundial mostra bem que cerca de 3/4 da energia produzida a nível mundial é consumida nos EUA, Europa e Japão. Já a madeira é um dos recursos energéticos mais importantes para as economias em vias de desenvolvimento. Como vamos negar a estas economias o "direito" de consumirem como nós o fizemos no passado se este é o modelo actual de desenvolvimento?...Como e com que justiça o faríamos?...
Em suma, se os padrões de consumo podem contribuir para a degradação da nossa base global de recursos naturais e exacerbar padrões de desigualdade, há que refrear esse consumo, e incentivar a utilização de energias alternativas, como o biodiesel de que falavas (e que é uma boa alternativa para as áreas agrícolas em perda) e conceder "compensações" aos PVD que necessitam de aumentar os padrões de consumo de energia para se desenvolverem...Será esta uma via possível?...
E se, a título de "prática pedagógica" aderissemos todos (pelo menos os habitantes dos PD) ao "dia sem consumo"? Não ligas a TV/computador, não tomas banho, não secas o cabelo, desligas o frigorífrico, etc., etc., não sais de casa e a vida, tal como a conheces, desaparece. Seremos capazes de repensar todo o modelo de organização económica e social a tempo de evitar o pior cenário? Estamos dispostos a abandonar os nossos estilos de vida e práticas quotidianas em prol de um maior equilíbrio ambiental planetário? Como explicaremos isto às economias emergentes como a China que tantos recursos tem ainda para gastar e tanta gente para satisfazer?...
Deambulei demais, mas a questão de fundo que se me coloca agora é mesmo "quanto estamos dispostos a pagar para alterar modos e práticas de vida?
Bj


De mouseland a 13 de Novembro de 2006 às 16:44
Olá MQ, :mrgreen::mrgreen::mrgreen::twisted::twisted:

Obrigado pelo comentário. Por um lado, o problema é mesmo o que apontas... que legitimidade temos nós para colocar pressão, por exemplo ao Brasil e ao desflorestamento da Amazónia, quando sabemos que parte do problema que existe é criado pelo consumo dos países mais desenvolvidos. Por outro lado, se me custaria pensar num dia sem ligar o computador não me custa nada pensar em formas de ir trabalhar a pé ou a partir de casa (discurso que cola muito bem com as ideias advogadas pelas tecnologias da informação por noções de teletrabalho, por exemplo...). Acho assustador o consumo do ar condicionado e o abuso dos carros pois as pessoas têm alternativas (habituam-se ao calor e ao frio e andam a pé ou de bicicleta em vez de irem para ginásios...). Sou um bocado nazi neste aspecto, admito, mas acho que o que se passa agora é o resultado óbvio deste tipo de contrasensos da sociedade contemporânea. Sempre me senti altamente crítica em relação ao consumo desmedido de bens combustíveis e tento usar o mais que posso os transportes públicos. Ultimamente tenho pensado que não custa nada se queremos garantir que os nossos descendentes tenham um ar aceitável para respirar.

Custa-me imenso ver tantas crianças alérgicas devido à poluição e sentir que apanhar um banho de sol e tomar um banho no mar já não é o paraíso de outros tempos... acho demasiado podre para valer o preço de andar sempre dependente de engrenagens. Agora o quanto polui um computador? Porque desse eu penso que não prescindo, qual secador, qual banho... o problema é que cada um de nós tem a sua coisa imprescindível... mas se em vez de ter tantas nos reduzíssemos a algumas talvez ajudássemos o planeta a melhorar...

Também divago mas acredito mesmo no que digo! :cool:

xxx mouse


De MQ a 13 de Novembro de 2006 às 20:54
hei não estava a fazer-te uma crítica pessoal era apenas uma reflexão crítica ao modelo de produção capitalista, à nossa organização socio-económica...é que mtas verdades são mmo incovenientes!
O computador consome energia e tudo o resto que fazes tb: somos uma civilização energívora, pelo que temos mmo de mudar mtas coisas nas nossas vidas para que o planeta, tal como o conhecemos, não despareça; são passos importantes aquilo q cada 1 de nós pode fazer no seu quotidiano para contribuir como cidadão consciente e ecológico, mas as engrenagens pesadas da economia não mudam assim, pelo que o modelo económico é que tem de mudar e o exemplo deve vir dos que podem fazer sacrifícios.
Eu tb dou a minha pequenina contribuição para o planeta azul, em múltiplas opções diárias, mas sinto-me impotente perante a voragem do consumo energético, de recursos e a consequente poluição. Parte da minha vida profissional se dedica a estas causas. Espero que o filme chegue a muita gente, mas desconfio que não vai mudar muita coisa.


De mouseland a 13 de Novembro de 2006 às 21:10
Hello MQ, :mrgreen::mrgreen::mrgreen::cool:

Eu percebi que não tinha nada de crítica pessoal apenas estava a querer dar uma pequena tonalidade "na primeira pessoa" daquilo que cada um pode e não pode fazer para tentar contribuir para a resolução da questão... acho que é importante que realmente as pessoas se apercebam da gravidade e que iniciem uma contribuição mesmo que com actos pequenos, comezinhos.

Tenho lido sobre alguns truques de poupança energética e é bom pensarmos em exemplos de acção concreta. De qualquer forma, estou como tu muito, muito pessimista e angustiada com o aquecimento global e desisti até da ideia de voltar a ter carro ou só compraria hoje o Prius.

xxx mouse


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