Sábado, 24 de Junho de 2006
DE QUE FALAMOS QUANDO FALAMOS DE ARTE E DE DESIGN
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“The new artist, equipped for acting in the ambit of net economies, will necessarily be a social agent belonging to the sector of immaterial labour, that of the production of knowledge. He shall never more be a shaman, a lay preacher, or a bohemian living outside the productive economic sphere. Rather, she or he will qualify as know workers”. net.art and the coming culture, José Luis Brea 

Num tempo em que, por muito que custe aos artistas, o design engoliu a arte e finalmente deixou de estar no papel de mediador entre a arte e a tecnologia, como advogou Vilém Flusser. Num tempo em que as agendas criativas jogam em tabuleiros tripartidos, relações triangulares entre cultura, tecnologia e marketing o papel da criatividade tem que ganhar novo impulso. Se as agendas de design estão preocupantemente subalternizadas ao marketing e à tecnologia é imperativo reorganizar estas em função da criatividade para vencermos o marasmo actual. Num tempo em que a cultura erudita é deglutida e vomitada pela cultura pop, ou popular, se quiserem, que é, afinal, muito mais interessante e erudita do que a chamada cultura de elite, as relações e distinções entre ambas são problemáticas. Num tempo em que a ideia de “coisa sem função” é um contra-senso é necessário perceber de que falamos quando falamos de arte e de design. O design tomou conta das artes. Não faz sentido pensar em artes digitais fora do âmbito do conceito de design contemporâneo e essa é uma realidade dura de roer aos artistas tradicionais formados no âmbito das artes visuais (fotografia, pintura, escultura). As artes tecnológicas implicam o conceito de design se o definirmos nestes termos: “fazer alguma coisa, distinguir algo através de um signo, dar significância designando a sua relação com outras coisas, bens, utilizadores ou comodidades. A partir deste significado original podemos dizer que design [signare] é fazer sentido (dar sentido), sendo esta a ideia central do design. Design é concepção e planificação de todas as instâncias do artificial ou do mundo feito pelo homem: signos e imagens, objectos físicos, actividades e serviços, sistemas e ambientes. Desta forma, o design situa-se no domínio do artificial, é um fazer artificial, uma acção ou aparência visual, comunicação, processo reflexivo, pensamento e transformação. Design é o processo pelo qual o designer cria um contexto do qual emergem significados para serem encontrados por um participante/utilizador (Salen & Zimmerman; 2004: 40-41).

É precisamente por existir um problema de conceitos e definições que muitos autores insistem na necessidade de agendas concretas na concepção e design de mundos digitais (Espen Aarseth e Gonzalo Frasca, bem o apontaram na conferência que deram o ano passado na Universidade Lusófona em Lisboa e, no caso de Aarseth, no EAC - encontro de arte e comunicação). Daí que também para estes autores quase tudo se passe no tabuleiro do design e da semiótica responsabilizando os artistas pelas suas produções. A época das generalizações e dos floreados tem que dar lugar à contextualização e explicitação dos conceitos para que então todos possamos saber de que falamos quando falamos de arte e de design.


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