Domingo, 4 de Maio de 2008
“ÁLVARO LAPA: LITERATURA”
alvarolapa_literatura1.jpg

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No dia 25 de Abril fui ao Indie 2008 ver o documentário de Jorge Silva Melo Álvaro Lapa: Literatura. A reconstituição da viagem de carro entre Lisboa e Viseu serve de apresentação à obra de um dos artistas mais importantes e enigmáticos da história das artes portuguesas do século XX. A viagem de carro, que Jorge Silva Melo fez quando soube que Álvaro Lapa (1939-2006) tinha morrido, é revivida pelo realizador e pelo actor (Pedro Gil) no sentido de clarificar uma teia de acontecimentos que marcaram decisivamente a vida do cineasta. O cruzamento com a pintura de Álvaro Lapa, algures quando tinha 16 anos numa ida à galeria 111 em Lisboa, foram decisivos para Jorge Silva Melo perceber em que mundo queria viver. O reencontro com Álvaro Lapa surge posteriormente no contexto de um documentário sobre a obra de Joaquim Bravo também por si realizado. 

Álvaro Lapa: Literatura é um “texto” muito interessante sobre a importância da literatura na obra pictórica do pintor. É também um registo da complexidade do pensamento de Álvaro Lapa que construía e refazia conceitos como campéstico (junção de campestre e doméstico). O artista revela jogos de personagens literárias misturados nos seus quadros com paisagens solitárias à beira mar, momentos perdidos num emaranhado de sensações. A influência de Virgílio Ferreira, de quem Álvaro Lapa foi aluno, é inicialmente acentuada por uma relação próxima com o escritor. Os note books ou blocos de notas de Freud, Céline, Kafka… Um autor misterioso que preferia viver a sua solidão e construir os seus puzzles cruzados junto à praia, no sul ou no norte de Portugal, numa introspecção dura e penosa. Uma viagem curiosa pelos meandros da mente de um homem fascinante. O filme é um documento bastante importante para percebermos a sensibilidade do pintor mas também pela reposição histórica: Évora, Lagos, Palolo, Joaquim Bravo, Álvaro Lapa, reposições e exposições na Gulbenkian, o circuito dos livros, Robert Motherwell, e algum humor sarcástico. Gostei bastante.


13 comentários:
De Meste Cuco a 5 de Maio de 2008 às 08:48
:twisted:
Eu também teria gostado muito de ver aqui um bom texto sobre este assunto. Por favor efectuem-se (pelo menos) as seguintes correcções que o Mestre está CHOCADO:

- "O cruzamento com a pintura de Álvaro Lapa (...) FOI DECISIVO... para JSM perceber em que mundo queria viver." Fabuloso! O mestre ao ler este texto também percebeu que tipo de textos vai chumbar este ano :oops: Revelações destas não há todas as semanas!

- "Obra PICTÓRICA DO PINTOR"? ou pérola pleonástica escrita da escritora?

- "Viagem curiosa pelos meandros da mente de um homem fascinante"? Pensava que era obra intelectualóide mas afinal é um remake da Viagem Fantástica e do Micro-Herói! Eu cá registava já esta frase para pôr na contracapa de todos os bestsellers da literatura e do vídeo. Assenta que nem uma luva em tudo o que é "coltoral" e inofensivo.

- "Reposição histórica"? Tem também viagem no tempo, hein? Quando é a estreia mundial?


De mouseland a 5 de Maio de 2008 às 21:28
:mrgreen::smile::evil: Curioso mestre, como da primeira vez que li o seu texto em cima não percebi patavina do que dizia mas numa segunda leitura parece muito certeiro. Ora, vejamos: quanto à frase do mundo em que JSM queria viver é mesmo ele que o diz no documentário e portanto suspeito que o mestre ainda não deve ter tido oportunidade de ver o filme que aqui se debate. Depois, essa história bem medida da obra pictórica do pintor também tem nuances pois Àlvaro Lapa tem de facto (também) obra literária o que nos dá mais uma layer. Por fim, garanto-lhe mestre, que este filme é uma viagem no tempo, no espaço e à mente de um homem sem qualidades, coisa sem qualquer cariz intelectualóide, mas antes fascinante pelo movimento. Sua, sempre aprendiz de feiticeiro, xxx mouse


De Mestre Cuco a 6 de Maio de 2008 às 09:11
:shock:
Estimada pupila,
Não era o conteúdo do seu texto que vim aqui corrigir mas antes a sua forma bancal e descuidada

- erro de conjugação (foram decisivos: foi decisivo)
- pleonasmo injustificável: se Lapa não é só pintor, falemos de "obra pictórica do artista"... ou de "obra literária do pintor"... ou de "obra pictórica do escritor"...
- frases feitas e expressões totalmente corriqueiras do tipo "viagem pelos meandros da mente"...

Aquilo que a estimada pupila diz mais rapidamente no post em que me responde é, se exceptuarmos as justificações vãs e desnecessárias, mais "profundo" e menos "cliché" do que tudo o que afirma no texto, o que me leva a pensar que vai seguindo os conselhos do mestre.


De andrade a 6 de Maio de 2008 às 12:25
:evil::twisted::razz::mrgreen: Olha este! Andrade :oops:


De mouseland a 7 de Maio de 2008 às 13:34
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Caro mestre Cuco, o dr. lá saberá o que mais lhe agrada mas deixe-me dizer-lhe que outras pessoas podem não ter a sua opinião quanto ao teor narrativo da missiva em epígrafe, do grego gráphein (“inscrição”), pelo que o que é mais ou menos corriqueiro também é matéria da percepção e da experiência pessoal (ou será subjectiva?) de cada um. Mas fico muito grata que tenha gostado da resposta ao seu comentário. Sua, sempre aprendiz de feiticeiro, xxx mouse


De Mestre Cuco a 9 de Maio de 2008 às 16:12
:neutral:
Corriqueiro = comum, pouco original, banal
Tem toda a razão no entanto: o que é "corriqueiro" em Portugal sê-lo-à muito menos nas Ilhas Galápagos. Em língua "corriqueira" local, um ilhéu das Galápagos teria certamente falado de "mergulho vertiginoso nas profundezas do espírito de um génio contemporâneo" em vez de "viagem curiosa pelos meandros da mente de um homem fascinante". :mrgreen:


De mouseland a 9 de Maio de 2008 às 17:49
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Estou a preparar uma "peça" em formato "post" mesmo adequada ao seu estilo mestre! Mantenha-se atento pois vai para "o ar" ainda hoje e terá como tema "a forma matreira com que as estratégias masculinas tentam silenciar as opiniões femininas". Não perca! Sua, sempre aprendiz de feiticeiro, xxx mouse


De cris a 10 de Maio de 2008 às 00:32
:twisted:Mestre Cuco: KuKu, Ku KU?!::::mrgreen::mrgreen::mrgreen:
o seu método pedagógico claramente ´falogocêntrico` não é propício à evolução dinâmica... :shock:
e, ainda "por cima" disfarçado de CuCo, he!he!he! :lol::roll::grin:


De Mestre Cuca a 10 de Maio de 2008 às 15:02
Caras pupilas,

Não temendo ataques de trogloditas, gostaria de saber o que motiva as vossas acusações: não sugeri que as expressões "corriqueiras" citadas são apanágio do belo sexo (pelo contrário, os "meandros da mente" e "mergulhos vertiginosos" são frequentemente territórios de exploração de garanhões descomplexados, o que não é o meu caso). Espero que não estejam subentendendo que a ironia é arma falocrática.
Para mostrar para vocês que não sou marialva, resolvi mudar minha identidade para Mestre Cuca. Mas se continuam a encher meu saco, vem tudo parar no galinheiro pois cucos, cucas, pardais e galináceos tudo pertence à mesma família feliz das aves.
Mestre Cuca
PS: cris você não gosta de aliteração, de relógio suíço, de protuberância traseira ou de nada destas três coisas? seu humor misantropo me derrete!!! :cool:
(espero que não ache esta confidência pouco cavalheiresca).


De cris a 10 de Maio de 2008 às 22:51
:lol::lol: ôi p`ra ele ?!...

xou uma
xaloia que não
xabe que voxê diz, penxa, ou que voxê é ....:roll::oops::oops::oops:

atão vá... loooongo vôooo p`rá floresta !:twisted::evil:


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