Domingo, 15 de Junho de 2008
MARK STEPHEN MEADOWS E A ECOLOGIA DAS EMOÇÕES ARTIFICIAIS
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Mark Stephen Meadows esteve em Lisboa o mês passado para uma conferência na Universidade Lusófona de Lisboa com o título “I avatar: who are we in the digital age”. O autor americano, que vive novamente em Paris e que já esteve em Lisboa em 2003 no âmbito da Experimentadesign, apresentou uma comunicação de aproximadamente uma hora seguida de debate. Nesta apresentação foram abordadas a história e a cultura do retrato para assim introduzir o software que desenvolve para a construção de personagens inteligentes. A tradição do retrato serviu a Mark Stephen Meadows para mergulhar o espectador na cultura digital e na produção de avatares em jogos como o Second Life. A comunicação centrou-se bastante no último livro do artista, I Avatar, the Culture & Consequence of Having a Second Life, e foi bastante estimulante na medida em que contextualizou a sua obra e ajudou a compreender como esta se revela bastante consistente na sua multiplicidade. Imagine-se a criação de um retrato a partir dos textos de um blog… Imagine-se a criação de um avatar a partir de cartas de uma pessoa morta… Psicologia e tecnologia podem transformar um artefacto mecânico numa representação com emoções? Sou muito céptica em relação às teorias da Inteligência Artificial mais centradas na consciência e associadas a relações desincorporadas do ambiente e tive oportunidade de discutir estas ideias com o autor. Nada conclusivo, claro está!

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A minha opinião está bastante formatada pelas teorias da Vida Artificial e da biologia de sistemas e afasta-se cada vez mais de aproximações mais top down, estas típicas das teorias da Inteligência Artificial. Veja-se, a título de exemplo, o texto que acompanha a conferência de amanhã no Instituto Superior Técnico: “Os projectos para criar “inteligência artificial” começaram por ser dominados pela ideia de que a inteligência está “dentro da cabeça” de um agente individual com capacidades superlativas de racionalidade calculadora. Isso equivale a três grandes esquecimentos da Inteligência Artificial clássica: o esquecimento do corpo, o esquecimento dos outros, o esquecimento do mundo. Esquecimento do corpo, porque sobrevaloriza o cérebro (artificial) como centro de comando, dando insuficiente atenção às dinâmicas corporais (percepção e acção, nomeadamente). Esquecimento dos outros, porque se concebe a inteligência em termos individuais (cada agente calcula isoladamente tudo o que há a fazer, com um investimento insuficiente na coordenação e mesmo cooperação com os demais agentes). Esquecimento do mundo, porque o agente é concebido para funcionar como se toda a inteligência estivesse nos próprios agentes, quando o nosso mundo (físico e social) tem vindo a ser estruturado ao logo de séculos por antecessores que o foram adaptando às necessidades e características da nossa espécie e ao nosso modo de vida, de tal modo que a sua organização e os instrumentos nele presentes contêm inteligência acumulada que deve ser tida em conta por agentes verdadeiramente inteligentes” (Silva, 2008). Mais informações aqui.

Infelizmente amanhã não vou poder ir à conferência Para uma Ecologia dos Ambientes Institucionais com o Professor Viriato Soromenho-Marques pois estou a dar aulas a essa hora mas dia 7 de Julho não vou faltar à última conferência do ciclo temático sobre a engenharia das sociedades humanas. As aulas já acabaram nessa altura. Gostava bastante de assistir à comunicação de amanhã uma vez que são assuntos que me interessam imenso pois esta aproximação cooperativa e emergente foi precisamente a que adoptei na minha tese de doutoramento que explora as teorias da Vida Artificial com possíveis aplicações às criaturas digitais no âmbito criativo.

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Voltando a Mark Stephen Meadows. Embora me custe a perceber algumas visões mais orientadas pela psicologia Mark é, quanto a mim, um dos autores mais diversificados e estimulantes da actualidade. Escreveu dois livros na área da narrativa interactiva e dos media participativos. É representado por galerias na Europa e nos Estados Unidos da América. Criou algumas empresas, nomeadamente a HeadCase Humanufacturing e em 2007 a Echo & Shadow, e ainda é conhecido pelas suas viagens e experiências como marinheiro. Neste caldeirão de actividades passa algum tempo a dar conferências e workshops e mantém o seu site actualizado. A comunicação do dia 30 de Maio ajudou a reconstruir um retrato ainda mais nítido das múltiplas personalidades de Meadows e como estas contribuem para uma obra muito coerente e experimental. Ali se demostrou como a actualidade segue uma longa tradição de representação e como essa mesma tendência está presente nas páginas de programas de edição como o myspace e na construção das diversas personagens que criamos para nos representarem no espaço digital. Mark Stephen Meadows tem planos para, no futuro, vir viver para Portugal. Por cá o esperamos. Até já.




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