Segunda-feira, 7 de Julho de 2008
O MUNDO MARAVILHOSO DE M. NIGHT SHYAMALAN

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Achei o novo filme de M. Night Shyamalan, The Happening ou O Acontecimento, maravilhoso. Uma história fantasmagórica com um discurso holístico sobre a força da natureza e das energias universais. Ficção ecológica onde apenas o amor pode apaziguar o planeta em fúria contra o homem. Uma história simples, que por vezes ironiza o pavor terrorista, as imagens dos corpos suicidas a cair dos céus, em plano contrapicado, são talvez disso um bom exemplo. O medo é inesgotável, paira em todo o lado e pode virar humanos contra humanos, feiticeiras contra famílias honestas e loucos contra pessoas sãs. A utilização da natureza como um recurso remete-nos para a vingança das forças vitais, o perigo pode gerar alergias ou vontades suicidas. Neste caso, a revolta é talvez personificada pelas plantas, pelas árvores ou, quem sabe, pelo vento... Mas também pode ser um vírus, um pólen, uma arma ou apenas a vontade de acreditar que há uma ameaça? Uma ficção em que as imagens falam por si, uma fábula enigmática. É pena que os microfones às vezes apareçam a estragar os cenários. Lindíssimo e inquietante. Sem discursos e muito bem filmado. Uma obra de um realizador já aqui referido.

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15 comentários:
De rafgouv a 7 de Julho de 2008 às 10:11
:mrgreen:
Sim, um filme belissimo, quanto a mim o melhor de Shyamalian, a par com Signs.
O que é que queres dizer com "sem discursos"???


De mouseland a 7 de Julho de 2008 às 12:40
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Olha eu adoro "A Vila" também. Sem discursos... é como se deixasse ao espectador a possibilidade de múltiplas interpretações, é aberto, sem etiquetas, sem ganga, encantatório. xxx mouse


De rafgouv a 7 de Julho de 2008 às 13:30
ok


De margarida a 8 de Julho de 2008 às 11:24
O sopro letal do vento e a fúria das plantas lembrou-me «Os pássaros» do Hitchcock. Essa concepção do mal tão moderna, tão paranóica, e o inesquecível plano do ponto de vista dos pássaros, cá em cima, no céu. Às vezes acho que as alegorias roubam espessura aos filmes do Shyamalan mas quando os vejo devo confessar que fico cativa do feitiço:razz:


De Mimi a 8 de Julho de 2008 às 14:02
Olá Mouse - e Sr. Raf!!! :mrgreen:

Não há sítio melhor do que este no mundo para uma pessoa encontrar descanso de espírito e clareza no discurso: eu adorei este filme, mas era capaz de jurar que vi microfones pululantes a como-que-estragar a minha plena imersão na história. Como o meu super-herói, sentado ao meu lado, não os viu, cheguei a pensar que tinha sonhado. Mas afinal.. eles estavam lá! É inadmissível, não é?

Beijinhos e saudades*


De mouseland a 8 de Julho de 2008 às 14:20
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Olá Margarida e Mimi,
Já andava a sentir a falta de alguma animação vossa aqui na mouselândia. Voltem mais vezes para criar um debate mais animado, colaborativo e inteligente. Aliás até para estimularem o Mister Rafgouv a escrever pois anda a “fugir com o rabo à seringa” e só tem aparecido nos comments. Mas está prometida uma aparição para breve da sua requintada playlist.

A relação com os "Os pássaros" é muito boa, não tinha pensado nisso, mas faz todo o sentido e deve ser mesmo uma alusão, não? Quanto aos microfones eu nem dava por eles mas o meu parceiro passou o tempo todo a queixar-se pelo que não dava sequer a hipótese de lhes fugir. Não é justo, quebra a magia mas enfim... é daqueles detalhes que não sujam a beleza daqueles ambientes feiticeiros.

xxx mouse


De rafgouv a 9 de Julho de 2008 às 12:26
:lol:
Bem-haja Mimi! Muito gosto em (re)vê-la. Esperemos que a sua assiduidade melhore (tanto aqui como no Chocolate ou até no myspace). Ou é moça que gosta de se fazer desejar?

:lol: Margarida,
Estou perfeitamente de acordo: o principal risco dos filmes de Shyamalan é que "as alegorias roubam espessura aos (seus) filmes". No entanto podemos também considerar que esse risco é corajoso e perfeitamente assumido: Shyamalan não tem visivelmente medo que o chamem de conservador, de beato, de sacerdote new age, de pateta alegremente naïf ou de qualquer outro dos epitetos com que é frequentemente premiado. Mas de facto trata-se de um cineasta que adora "discursos"/ alegorias (sorry mouse), de preferência discursos sobre a fé (uma fé multicultural e multiconfessional que exclui o fanatismo), o que causa urticária a muito boa gente que não percebeu que a fé é uma temática cinematográfica por excelência (sem fé não há cinema). Há muita gente, sem fé, que adora ver filmes sem gostar de cinema.

:lol: Quanto àqueles que viram microfones por todo o lado: então os senhores não perceberam que eram câmaras de vigilância vegetais? Então como é que pensavam que a ameaça (não desvendemos) sabia onde estavam os humanos?
Ou será que era uma homenagem ao minimalismo da Twilight Zone (eu chamaria blockbuster minimal a este filme) num filme repleto de referências (Os Pássaros, claro, mas também Carpenter, Spielberg ou até o Chant d'Amour de Jean Genet)?

E uma última palavra sobre os actores espantosos, Mark Wahlberg e Zoey Deschanel. Como noutros filmes de Shyamalan, uma das coisas que mais me agrada é a performance dos actores, nos antipodas do estilo de representação hollywoodiano. O realizador concentra-se muito mais nos pequenos gestos (um olhar, uma mão estendida, um abraço) e não pede essa vã "naturalidade" que não existe na vida real: os actores parecem deslocados, pouco à vontade, quase forçados... sem exibirem os tiques do actor's studio nem o à vontade caracteristico dos heróis de acção que constituem o standard (irrealista) da representação. Nos canones de Hollywood a direcção de actores de Shyamalan aparenta-o a Robert Bresson (outro realizador crente)...


De Mimi a 9 de Julho de 2008 às 16:00
Segunda aparição milagrosa de Mimi no mesmo post!

Olá Mouse! Estou em processo de regresso à blogosfera, e já regressei ao Chocolate. Vou dar o meu melhor! :cool:

Olá Sr Raf, tás bom? Eu gosto de me fazer desejar, mas acho que essa fase de charme já passou e agora arrisco-me a cair num esquecimento obliviano.. :wink:

Voltando ao filme, não sei como não percebi logo que se tratavam de câmaras de vigilância vegetais! Talvez daí o seu formato de beringela.. A ideia da mamã Natureza de pendurar legumes por todo o lado para espiar os "serumanos" não só é muito disceta, somo é de génio. Uma espécie de Big Brother Leguminoso, quiçá...? :shock:
Também gostei mesmo muito da prestação do Mark Wahlberg, particularmente do seu ar genuinamente aparvalhado. E gosto sempre muito destes filmes poderosos que são arrebatadores à custa de coisas simples: boa história e bons actores, sem recurso nenhum - ou pouco - a efeitos 3D (que eu tivesse notado, vá...).


Só é pena as beringelas, mas não volto a falar disso!!! :mrgreen:


De margarida a 9 de Julho de 2008 às 19:33
É talvez prova da minha fé cinematográfica não ter reparado sequer nas câmaras de vigilância vegetais ! :mrgreen: concordo contigo Raf que o risco alegórico de Shyamalan é assumido e repentinamente recordo-me a este propósito do filme Bug de William Friedkin sobre o qual, Mouse, também escreveste. Outra obra alegórica, outro par de actores fabuloso, tão longe do registo de Hollywood. Se a paranóia liga estes filmes é também certo que eles se ligam pela fé que convocam. Mouse, finalmente comecei a ler a «Arte Recombinatória» e estou a adorar :grin:


De mouseland a 10 de Julho de 2008 às 03:04
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Isto por aqui está animado. Quanto aos discursos não comento porque se equipara alegoria com construção narrativa coisa que me parece estranha. Quanto à fé acho problemático e também não comento. No point. Quanto aos microfones como “câmaras de vigilância vegetais” ou “beringelas” já me mostro mais interessada porque se trata de imaginação e criação colectiva, hehehe. Gostei muito da ideia de “pendurar legumes por todo o lado para espiar os “serumanos” (…) Uma espécie de Big Brother Leguminoso”, hahahaha:razz::mrgreen::mrgreen::lol:.

Depois em relação aos actores realmente a comparação com o “Bug” é boa. Margarida, és a primeira pessoa fora do agregado familiar aqui de casa :smile: :lol::smile::mrgreen: que eu conheço que viu esse filme! Em relação ao livro “Arte Recombinatória” eu fiquei mesmo surpreendida quando o li. Já o tinha em casa há algum tempo na altura que o li e fiquei mesmo a remoer como é que tinha esperado tanto tempo para o ler. As referências ao Martin Amis (um escritor eleito!), as citações, o ambiente geral de referências cruzadas, já estava capaz de voltar a ler, hehehe, e eu não sou muito de reler livros, ao contrário dos filmes, por exemplo, que estou sempre a repetir. Mas esse livro marcou-me. O rafgouv também já leu pois ofereci-lho em tempos. Será que quer comentar de forma construtiva hihihihi? xxx mouse


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