Domingo, 28 de Setembro de 2008
TORONTO_UMA CIDADE ONDE NÃO ME IMPORTAVA DE VIVER



Chegámos a Toronto provenientes de Montreal depois de uma viagem de comboio curiosamente frustrante. Os bilhetes foram caros e o comboio nem ao nível do nosso
Intercidades se poderia comparar. Uma viagem de mais ou menos quatro horas durou quase seis. Como as carruagens não tinham lugares marcados ficámos numa fila de uma hora, antes da partida, à espera que nos destinassem o lugar. A culminar com todo este cenário deparámos com uma casa de banho tão desconfortável que na viagem de regresso a Montreal fiquei cinco horas sem lá pôr os pés. Valeu a pena a experiência principalmente para perceber a sorte que é termos comboios financiados pelo estado. Por ali apanhar um comboio não deve ser uma coisa muito frequente embora me tenham sugerido que existe uma linha entre Toronto e Vancouver que tem uma vista panorâmica muito interessante, nem quero imaginar o preço!


Como chegámos por volta das cinco da tarde e o percurso da estação ao hotel foi rápido, largámos as malas e fomos a correr explorar a cidade. Andámos alguns quilómetros até ao rio Ontário passando por algumas ruas comerciais e assim fomos descobrindo alguns dos sítios que se iam tornar, nos dias subsequentes, as nossas referências geográficas. Adorei passear à noite na rua
Yonge, atravessar o bairro gay até chegar ao hotel, ir almoçar ao
Distillery District, com algumas lojas de designers e galerias que vale a pensa explorar, e beber um dos melhores chocolates quentes que algum dia tive o prazer de apreciar. Infelizmente não me lembro do nome do café mas li algures que era considerado um dos melhor da cidade…


O
Distillery District ainda está em
progress mas promete ser um lugar memorável. A rua
Yonge tem restaurantes e lojas que me deixaram uma saudade enorme tal como apreciei imenso explorar as várias tendências multiculturais da
Bloor Street. Na verdade a cidade deixou-me uma sensação persistente muito boa e é um sítio onde não me importava nada de viver. Sem esquecer o
Drake Hotel,
hot bed for culture, e a excelente exposição de arte japonesa que vimos na
Indexg Gallery. Esta galeria, aberta ao público desde 2006, e considerada pela revista
How a melhor nova galeria de 2007, apresentava uma exposição curiosa chamada “China/Biblioteca/Manga” de uma família japonesa: pai, mãe e filha. Os pais são ambos fotógrafos e muito conhecidos na cena artística japonesa e a filha, designer de livros manga, também é bastante popular no Japão. Provenientes de uma família de escritores e editores, o pai e a mãe, Shimao Shinzo e Ushioda Tokuko, lançaram o livro
China Products, e Maho Shimao: “hit the Japanese cool scene with her first book "Joshikosei Goriko" in 1997. She was hot in Tokyo and has become a celebrity manga artist among the young generations”. Ler mais
aqui.


Nos cinco dias seguintes que ficámos em Toronto ainda fomos ao
ROM, Royal Ontário Museum, ao
Design Exchange, a Niagara, ao
Mocca, Museu de Arte Contemporânea Canadiana, ao
OCAD, Ontário College of Art and Design e à
Art Gallery of Ontário, esta última fechada para uma obra de renovação a cargo do arquitecto Frank Gehry. O
Mocca, ao contrário do que diziam todos os folhetos culturais, estava, no dia em que lá fomos, também fechado e, sem explicação possível, com umas latas de tinta e um bilhete escrito à mão, batemos com o nariz na porta. Ficámos com a nítida sensação que o guia estava correcto ao afirmar que este museu não era grande coisa… O
ROM fica perto da
Queen Street e é um museu interessante para crianças mas um bocado misturado para o meu gosto, além da parte de história natural, quanto a mim a mais interessante, encontram-se artefactos de diversas culturas numa amálgama museológica que acompanha bem a tendência canadiana para a mistura, sendo que aqui se tratam de diversas civilizações mixadas no mesmo espaço. A visita ao
Design Exchange já
aqui foi relatada. Niagara ficará para breve e o
OCAD, Ontário College of Art and Design fica num edifício bem curioso que faz justiça ao prestígio da instituição que há mais ou menos um ano publicou um estudo a reclamar a democratização do design advogando que os produtos de design não chegam a muito mais do que 10% da população mundial.


Tal como em Montreal a Ásia está em todo o lado, no bairro Chinatown, nos inúmeros restaurantes japoneses, tailandeses, entre outros, nos tamanhos de roupa nas lojas e nos produtos de consumo. Deliciámo-nos com um excelente restaurante tailandês aconselhado por uma revista local e fomos a alguns japoneses inesquecíveis, modernos, simples ou mais tradicionais. Também me fartei de comer os maravilhosos aperitivos japoneses que por cá também já encontramos mas com dificuldade. E por lá podia beber uma água de Aloé Vera adquirida em qualquer supermercado ou loja de conveniência. Toronto vale mesmo a pena explorar!
