Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009
“HELD TOGETHER WITH WATER”_ INSTANBUL MODERN_NO FEMININO!


Fui visitar o
Istanbul Modern e gostei imenso do espaço e da colecção agora apresentada, da companhia de energia austríaca Sammlung Verbund, com o título “Held Together with Water, Art from the Sammlung Verbund”. O museu tem um restaurante com uma localização privilegiada que dá acesso a uma varanda bem situada no “meio” do Bósforo e desde a sua abertura, em 2004, tem albergado inúmeras exposições e retrospectivas nacionais e internacionais, criando um espaço de apresentação de fotografia, design, vídeo arte, escultura, cinema e arte interdisciplinar. A colecção, iniciada no mesmo ano, é bastante boa e encoraja o diálogo entre as posições artísticas dos anos setenta do século XX e a contemporaneidade cobrindo quarenta anos de produção. Os visitantes encontram, num espírito feminista e pós-moderno, segundo o catálogo da mostra, uma relação entre algumas temáticas caras à década de setenta do século passado e autores mais jovens. Encontrei algumas surpresas como é o caso da artista austríaca Birgit Jurgenssen (1949-2003), com um trabalho bem interessante de manipulação performativa da imagem de si própria na senda de Cindy Sherman, da dupla turca Sener Özmen e Gengiz Tekin (1971/1977) que apresenta o vídeo “The Meeting or Bonjour Monsieur Courbel” de 2004 e, ainda, do belga, Francis Al
ÿs (1959), com uma hilariante instalação vídeo sobre os diferentes pontos de vista de um “peão” na rua que é interceptado por um cão que o faz escorregar e cair. Estes autores, surgem misturados com personagens consagradas e bem reconhecidas como Jeff Wall, Cindy Sherman, Francesca Woodman, Valie Export, Gordon Matta-Clark, entre outros.


A exposição divide-se em duas orientações “The Performative” e “Spaces / Places” e é um espaço de reflexão sobre a falta de divulgação da arte do feminismo, no mesmo espírito da recente mostra da
Vancouver Art Gallery, apresentada em Los Angeles em 2007, e aqui documentada recentemente neste
blog. Um ensaio de
Abigail Solomon-Godeau, “The Fine Art of Feminism”, presente no catálogo da exposição, é essencial para compreender a forma como a arte produzida por um grupo de mulheres, a maioria das vezes sem qualquer relação entre elas, se constitui como um corpo de trabalho que questiona o modelo Kantiano centrado em concepções de genialidade, masculinas e que adoptam a presunção de um sujeito universal. Diz-nos Solomon-Godeau: “It is frequently overlooked that feminist criticism, of all stripes, and feminist art, of all kinds, were allied with other critical artistic practices in the rejection of that tradition of Kantian philosophy that had constituted the bedrock of modernism aesthetics; namely the presumption of a universal subject (i. e., male, white), a disinterested and rational observer (e. g., idem), and the location of the art object within an autonomous realm of beauty, value and freedom. But in challenging the binaries of public/private, (as well, most famously, as that of the personal and the political) feminism further subverted the Kantian model by insisting on the contingency of the art object, its normative status as luxury commodity, its fetishistic components and functions, its agency in the reproduction of ideologies. In the place of formalist modernist ontology of art, feminist theories developed epistemologies; in the place of the sublimatory function of art, feminist proposed its de-sublimation, and the exposure of its constitutive repressions (Solomon-Godeau, 2008: 64)”.


Com um texto que mostra de forma explícita as relações entre a arte da performance e a arte no feminino, Solomon-Godeau, explica bem como o mundo da arte, ainda muito pouco global nos anos oitenta, ignora algumas artistas que, no entanto, tiveram alguma projecção no início da sua carreira. A exposição mostra como algumas autoras se centraram nos novos meios e usaram a fotografia e o vídeo para ensaiar
personas e papéis distintos, numa recriação do universo pessoal para exposição pública, numa evidente teatralidade efémera cujo registo em vídeo é o resultado final. Curioso é como esta mostra pode tão bem ser (re)contextualizada no sentido das artes digitais. O que se apresenta tem inúmeras relações com as novas práticas no âmbito das tribos da cultura digital, não só na construção de identidades fluidas a partir da rede como também na constituição de uma obra concebida com a participação do leitor/participante/jogador. O próprio catálogo da mostra já apresenta novos conceitos de interpretação destas obras. Conceitos estes, ancorados nas teorias da cultura digital e no papel fundamental da processualidade. É caso para se dizer que as artes tradicionais (fotografia, vídeo, cinema) estão finalmente a incorporar alguns discursos provenientes da estética e da experiência que apareceu com o digital. Não há experiência “binária” sem performatividade, sem jogo de pontos de vista, sem brincadeira. Não há experiência numérica sem um impulso evidente para a narrativa e o teatro. Ora, é precisamente esta deslocação que esta exposição vem reafirmar. No feminino.
De Anónimo a 13 de Janeiro de 2009 às 11:52
De Markus a 15 de Maio de 2009 às 17:17
Personally I do not think they are that bad. Find the files you are looking for at megaupload-download.com the most comprehensive source for free-to-try files downloads on the Web
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